Brasília, DF – O governo de Donald Trump prepara a concessão de asilo político ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil com a família rumo aos Estados Unidos após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes.
A articulação internacional foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, um aliado da família Bolsonaro afirmou que a administração norte-americana colaborou diretamente no plano para viabilizar a saída do parlamentar, recém-derrotado na eleição presidencial.
Flávio viajou acompanhado da esposa e das duas filhas, com previsão de desembarque em Miami ou Dallas. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também confirmou a interlocutores a saída do enteado do território nacional, conforme apuração da coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
A movimentação mobilizou a Polícia Federal (PF), que abriu investigação nesta terça-feira (27/10). Os agentes apuram duas rotas possíveis: a travessia por terra em direção à Argentina para embarque posterior, conforme noticiado pelo portal argentino Infobae, ou uma conexão em Caracas, na Venezuela, antes de seguir para os Estados Unidos.
A partida ocorre em meio ao cerco judicial contra o parlamentar. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado que o senador entregasse todos os seus passaportes até as 11h desta terça-feira, alertando formalmente para o risco de fuga.
Como a ordem judicial não foi atendida no prazo estipulado, a Polícia Federal realizou o cancelamento formal dos documentos de viagem de Flávio Bolsonaro.
A ofensiva jurídica da oposição foi imediata. Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), ao lado da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), acionaram Alexandre de Moraes, pedindo a prisão preventiva do senador.
Os parlamentares também solicitaram que, havendo mandado de prisão expedido, o nome de Flávio seja inserido no alerta vermelho da Interpol. O mecanismo aciona forças policiais do mundo inteiro para localizar e prender provisoriamente foragidos até que ocorra o processo de extradição.
A iminente saída do país aprofunda a disputa política e institucional em torno da responsabilização de figuras centrais do bolsonarismo perante a Justiça brasileira.
Atualmente, Flávio Bolsonaro responde a dois inquéritos sob relatoria do STF: um sobre lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e outro que apura irregularidades no financiamento do filme Dark Horse.
A blindagem jurídica do senador tem data para acabar. Com o encerramento do mandato parlamentar pelo Rio de Janeiro, previsto para fevereiro, Flávio perderá o foro especial por prerrogativa de função, transferindo o andamento dos processos para a primeira instância da Justiça comum.



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