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Itamed planeja nova maternidade para ampliar atendimento pelo SUS

Transferência dos serviços materno-infantis poderá liberar espaço para 100 leitos e viabilizar o futuro Hospital Modelo de Fronteira

Projeto da nova maternidade do Hospital Itamed. Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional.

Foz do Iguaçu, PR – A construção de uma nova maternidade no Hospital Itamed, com investimento estimado em R$ 82 milhões, deverá ampliar o atendimento a gestantes, mães e bebês de Foz do Iguaçu e dos municípios da região. O projeto foi apresentado no dia 19, durante visita do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, à unidade hospitalar. A proposta também prevê preparar o complexo para receber o futuro Hospital Modelo de Fronteira e integrar o Itamed à Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão.

Apresentado por Gilmar de Oliveira, diretor-superintendente da Fundação de Saúde Itaiguapy, o projeto prevê uma estrutura de aproximadamente 7 mil metros quadrados. Do investimento estimado, R$ 70 milhões serão destinados à construção, R$ 5 milhões à compra de equipamentos e R$ 7 milhões ao mobiliário. Os recursos deverão ser viabilizados por meio de convênios com o Ministério da Saúde e a Itaipu Binacional.

A nova Maternidade Itamed reunirá o Centro de Atendimento à Gestante (CAGE), pronto-socorro obstétrico, unidades de terapia intensiva (UTI) e de cuidados intermediários (UCI) neonatais, UTI pediátrica, salas de parto humanizado e alojamento conjunto. A estrutura foi planejada para responder ao aumento da demanda regional por atendimento especializado.

Atualmente, o hospital realiza mais de 400 partos por mês, uma média de 14 nascimentos por dia. Cerca de 80% dos partos são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Gilmar de Oliveira, a maternidade existente enfrenta uma demanda superior à sua capacidade há vários anos.

“A maternidade atual está saturada há alguns anos, chegando a atender até 430 partos por mês, acima da capacidade de 280”, afirmou o diretor-superintendente. Com a nova estrutura, a capacidade deverá chegar a 460 partos mensais.

A mudança também poderá abrir espaço para ampliar a assistência hospitalar em outras áreas. Com a transferência dos serviços materno-infantis, os espaços atualmente ocupados pela maternidade poderão ser revitalizados e utilizados para viabilizar mais 100 leitos. A medida faz parte de um planejamento de modernização do Hospital Itamed para as próximas décadas e poderá contribuir para a implantação do Hospital Modelo de Fronteira.

De acordo com Oliveira, o projeto da nova maternidade vem sendo desenvolvido há alguns anos e já estava previsto no plano de negócios do hospital. O planejamento considerava o crescimento da demanda e a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento em partos e internações.

Hospital inteligente e atendimento na fronteira

A proposta vai além da ampliação física da maternidade. O Ministério da Saúde discute a integração do Hospital Itamed à Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, iniciativa voltada à incorporação de tecnologias digitais, sistemas de informação, inteligência artificial e recursos de medicina especializada.

Durante a visita, Massuda afirmou que o governo federal trabalha na modernização de hospitais de excelência do SUS e que o projeto em Foz do Iguaçu considera as necessidades específicas de uma cidade de fronteira. Segundo ele, o Hospital e a Maternidade Itamed são as únicas estruturas do interior do Brasil contempladas pela iniciativa. A relação apresentada inclui também instituições de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

“Estamos discutindo a necessidade de expandir esse hospital, essa maternidade, associada aos conceitos que temos trabalhado no Ministério da Saúde. O objetivo é fortalecer o atendimento à população de Foz do Iguaçu e região, considerando as particularidades de uma cidade de fronteira”, disse o secretário-executivo.

Massuda também relatou que a equipe do ministério tem conhecido experiências internacionais de hospitais inteligentes na China, na Índia, na Coreia do Sul e nos Estados Unidos. A intenção, segundo ele, é utilizar essas referências na construção de um hospital que combine sistemas de informação e atendimento especializado.

“Tudo isso para subsidiar a construção desse novo hospital: um hospital inteligente, um hospital de fronteira, para fortalecer o atendimento à população aqui de Foz do Iguaçu e região”, afirmou.

O futuro Hospital Modelo de Fronteira ainda depende de regulamentação específica do Ministério da Saúde. As normas deverão definir os critérios e as diretrizes para a implantação e o funcionamento da unidade. Por enquanto, o projeto apresentado prevê aproveitar os espaços liberados no Complexo Hospitalar Itamed após a transferência dos serviços materno-infantis.

Tríplice fronteira impõe demandas próprias à saúde

Massuda afirmou que a posição geográfica de Foz do Iguaçu exige atenção específica do sistema público de saúde. Ele citou o fluxo turístico e as questões relacionadas à assistência à população e à vigilância sanitária e epidemiológica.

“Foz do Iguaçu é uma cidade extremamente importante para o Brasil. É a segunda cidade que mais recebe turistas no país, só depois do Rio de Janeiro, e uma vitrine do Brasil para o mundo. Por ser uma tríplice fronteira, essa realidade gera questões importantes para o sistema de saúde, tanto pela necessidade de garantir a assistência diante da sobrecarga da rede quanto pelos desafios relacionados à vigilância em saúde”, declarou.

Aline de Oliveira Costa, diretora do Departamento de Cooperação Técnica, Inovação e Desenvolvimento em Saúde do Ministério da Saúde, afirmou que a proposta integra uma discussão sobre mudanças no modelo de atenção à saúde na região. Segundo ela, o objetivo é ampliar a inclusão e garantir atendimento qualificado e seguro.

“A Região de Saúde de Foz do Iguaçu tem um desafio que fará com que o Brasil aprenda sobre a relação das fronteiras e sobre o fortalecimento regional”, disse Aline. Ela também ressaltou a cooperação com a Itaipu Binacional em projetos voltados à saúde.

Itaipu financia projetos de saúde no Brasil e no Paraguai

Os investimentos da Itaipu Binacional em saúde incluem iniciativas realizadas em parceria com o Ministério da Saúde e instituições dos dois lados da fronteira. Durante a apresentação, o diretor-geral brasileiro da usina, Enio Verri, citou a construção do Hospital Geral de Alto Paraná, em Ciudad del Este, no Paraguai, que receberá R$ 368,2 milhões para projeto, construção e aquisição de equipamentos. Os recursos serão viabilizados pelo lado paraguaio da usina.

No total, os projetos ligados a cinco hospitais paraguaios em Alto Paraná, Itauguá, Concepción, Curuguaty e Mariscal Estigarribia somam R$ 1,7 bilhão em investimentos.

“Ao pensarmos esse Hospital de Fronteira, com o apoio do Ministério da Saúde, também conversamos com o Paraguai, porque precisamos olhar para os dois lados da fronteira e pensar em um modelo que possa atender às necessidades dessa população”, afirmou Verri.

Segundo o diretor-geral brasileiro, os investimentos da margem brasileira da Itaipu na área da saúde ultrapassam R$ 600 milhões no Paraná. Desse total, R$ 260 milhões correspondem a investimentos em Foz do Iguaçu. Verri afirmou que os recursos contribuem para o atendimento dos moradores, dos turistas e da população que chega da Argentina e do Paraguai.

A visita ao Hospital Itamed reuniu representantes de instituições ligadas à saúde, ao setor empresarial e ao desenvolvimento regional. Participaram o presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (COSEMS), Fabio de Mello, integrantes do Conselho Itamed e do Conselho Municipal de Saúde (COMUS), representantes da Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (Acifi), do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Foz do Iguaçu (Codefoz), do GT Itaipu Saúde e do Itaipu Parquetec, além de diretores e gerentes da Fundação de Saúde Itaiguapy.

A construção da maternidade e a futura implantação do Hospital Modelo de Fronteira ainda dependem da viabilização dos recursos e, no caso da segunda unidade, da definição das regras federais. A ampliação prevista busca responder à demanda atual por partos e internações e criar condições para aumentar a capacidade hospitalar de Foz do Iguaçu e da região fronteiriça.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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