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“Nenhuma pretensão de poder supera soberania”, diz Fachin

Presidente do STF afirma que o tribunal é maior do que todos e envia ofício à PF para investigar fatos ligados ao caso Banco Master.

Alejandro Zambrana/STF

Brasília, DF – Em meio a um cenário de forte atrito interno e desgaste público por suspeitas que atingem ministros da Corte, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, reagiu publicamente à crise e cobrou limites na atuação dos magistrados. Durante a abertura da Semana da Constituição de 2026, Fachin afirmou que nenhum interesse individual pode se sobrepor às regras da República.

“Nenhuma pretensão de poder pode prevalecer sobre a soberania popular, a ordem constitucional e a democracia.”

A manifestação ocorre em um momento crítico para o tribunal, pressionado pelos desdobramentos do caso Banco Master e por divergências abertas entre integrantes do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a campanha eleitoral. Diante da desconfiança em torno da conduta de magistrados, Fachin afirmou que a democracia não se mantém sozinha e depende do cumprimento das regras do jogo.

“Nenhuma democracia nasce pronta e nenhuma se conserva por inércia. A Constituição é o chão comum de uma casa onde divergimos sem nos destruirmos. Ela não elimina o dissenso; oferece-lhe território, ferramentas e regras.”

Ao tratar do papel do próprio Supremo, Fachin defendeu os julgamentos colegiados e criticou medidas isoladas adotadas por ministros. Ele disse que guardar a Carta Magna não dá aos magistrados a posse sobre a lei ou sobre a vontade popular.

“Guardar a Constituição não é possuir nem se assenhorar.”

O presidente do STF completou que a atuação judicial só serve ao país quando respeita os limites fixados no texto constitucional. Ao mandar um recado direto aos colegas sobre as disputas recentes, concluiu:

“O Tribunal é maior do que tudo e do que todos.”

Para conter a crise e frear manobras processuais, Fachin colocou em prática nas últimas semanas regras mais rígidas para o sorteio de ações e impôs travas a decisões monocráticas. A mudança responde a ordens individuais e atritos públicos que ampliaram o desgaste institucional da Corte.

A tensão aumentou na última sexta-feira (2), quando Fachin enviou ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendendo apuração ampla sobre eventuais condutas de ministros do STF no caso Master. No documento, apontou que o tribunal tem interesse direto no esclarecimento de todos os fatos.

O ministro garantiu que a Presidência tomará as providências cabíveis assim que a PF entregar o relatório final das investigações, sem qualquer tipo de blindagem.

“Sem exceção de pessoa.”

Fachin também declarou confiar no trabalho técnico da Polícia Federal e do Ministério Público, afirmando que as apurações devem seguir com rigor, autonomia e respeito às competências do Supremo.

Antes do documento enviado à PF, o presidente da Corte já havia aberto um procedimento interno para pedir esclarecimentos aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor Andrei Rodrigues.

A medida foi tomada depois que Mendonça derrubou, em 1º de setembro, o sigilo de um relatório policial com registros de contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Fachin levou o caso para decisão do plenário, que vai definir o destino das apurações contra Moraes e avaliar se os atos de Mendonça seguiram as normas do tribunal.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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