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 Prazo para resgate de R$ 1,4 bilhão em apostas acaba na segunda

Usuários têm até as 23h59 desta segunda-feira para pedir retirada de valores antes do encerramento das plataformas em todo o país.

Apostadores precisam solicitar resgate de saldos antes do bloqueio dos sites de apostas. Foto: Reprodução/Internet.

Brasília, DF – Os apostadores que ainda possuem dinheiro guardado em contas de casas de apostas online têm até as 23h59 desta segunda-feira (5) para solicitar o resgate dos saldos. O aviso foi dado pelo ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, ao confirmar que cerca de R$ 1,4 bilhão em recursos de usuários continuam retidos nas plataformas de apostas eletrônicas que operavam no país.

O encerramento definitivo das operações das casas de apostas autorizadas ocorre após o governo federal editar uma medida provisória na última semana determinando o fim da atividade no Brasil. Com a determinação, todos os sites e aplicativos do setor deverão sair do ar a partir desta terça-feira (6).

De acordo com os dados apresentados pela pasta, em 25 de setembro o volume depositado nessas bancas virtuais somava aproximadamente R$ 2,1 bilhões. Com a proximidade do prazo final, houve uma redução superior a 30% nesse montante — um saque total de R$ 652 milhões feito pelos clientes nos últimos dias.

Mesmo quem não realizar o pedido de saque diretamente na plataforma até a meia-noite não perderá o dinheiro de forma imediata. Durigan explicou que as quantias remanescentes serão devolvidas em uma etapa posterior por meio das instituições bancárias que operam e movimentam os fundos das próprias empresas de apostas.

Além de orientar os clientes comuns, o Ministério da Fazenda, em ação conjunta com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, colocou sob fiscalização direta 48 contas de usuários que mantêm saldos superiores a R$ 500 mil. O objetivo do acompanhamento rigoroso é checar a origem e a movimentação desse dinheiro, prevenindo esquemas de lavagem de dinheiro. Se houver indícios de ilegalidade ou crimes financeiros, os dados serão repassados à Polícia Federal.

O encerramento põe fim ao modelo de apostas de quota fixa no Brasil, que funcionava sob regulamentação desde janeiro de 2025. Naquele período, apenas as empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas tinham permissão para atuar no mercado. Para coibir o funcionamento ilegal de plataformas clandestinas após o bloqueio, o governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que tipifica crimes relacionados à exploração não autorizada dessas apostas e endurece a fiscalização.

A decisão repentina provocou reações negativas em setores econômicos fortemente financiados pelo mercado de apostas, como o futebol profissional e o mercado publicitário. Entidades dessas áreas criticaram o banimento por medida provisória e defenderam que qualquer mudança dessa magnitude deveria ser apreciada com debate no Poder Legislativo, acompanhada de períodos de transição.

Melody Piñon

Jornalista formada pela Universidade de Holguín (Cuba), atualmente cursando Filosofia na UNILA. Experiência em redação, edição e produção de conteúdo para imprensa escrita, rádio e televisão. Apaixonada pelo jornalismo investigativo, com interesse nas áreas social e econômica.

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