Uagadugu, BF – O presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, inaugurou nesta terça-feira a primeira refinaria de ouro do país, a RAFFINOR-BF, em uma medida que, segundo o governo, busca aumentar a geração de riqueza, criar empregos qualificados e ampliar o controle nacional sobre os fluxos financeiros ligados à exploração mineral.
Durante a inauguração, Traoré afirmou que o objetivo do governo é deixar de se limitar à extração e à exportação de matérias-primas e passar a controlar também as etapas de processamento e certificação dos minerais dentro do território burquinense.
“Em tudo o que está relacionado à indústria extrativa, queremos ter toda a cadeia de valor sob controle, e estamos começando pelo ouro. Como mencionei antes, há muitos outros metais em nosso subsolo que queremos extrair, mas queremos controlar tudo até o último detalhe”, afirmou o presidente.
Traoré também declarou que a estratégia não se limita ao ouro. Segundo ele, o país pretende processar internamente outros recursos minerais, como manganês, cobre e zinco.
“Seja ouro, manganês, cobre, zinco ou qualquer outro metal, nossa ambição já não é ser apenas um país que extrai suas matérias-primas e as exporta; queremos refinar todos os nossos metais aqui mesmo”, declarou.
O presidente também afirmou que o ouro produzido em Burkina Faso deverá ser processado e certificado dentro do território nacional. Segundo o governo, a medida busca ampliar a capacidade de fiscalização sobre a produção mineral e reduzir práticas ilegais relacionadas ao setor.
“Refinar ouro em nosso território vai gerar mais riqueza, criar empregos qualificados, fortalecer a rastreabilidade de nossa produção e melhorar o controle dos fluxos financeiros. Além disso, permitirá combater com maior eficácia práticas ilícitas, como fraude, comércio clandestino e lavagem de dinheiro”, afirmou Traoré.
O ministro das Minas, Yacouba Zabré Gouba, afirmou que a RAFFINOR-BF é a primeira refinaria de ouro de Burkina Faso construída de acordo com padrões internacionais para transformar o metal em barras com pureza de 99,99%.
Por sua vez, o ministro de Estado, Emile Zerbo, afirmou que, a partir de agora, o ouro burquinense deverá passar por processos de transformação, controle, validação e certificação dentro do próprio país. A medida amplia a participação do Estado nas etapas posteriores à extração e busca manter no território nacional uma parcela maior das atividades relacionadas à cadeia do ouro.
A construção da refinaria teve um custo superior a 11 bilhões de francos CFA, de acordo com as informações divulgadas pelo governo, e foi financiada integralmente pelo Estado de Burkina Faso.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo de Traoré para ampliar o controle nacional sobre os recursos minerais. O país possui outras reservas minerais além do ouro, e as autoridades pretendem ampliar o processamento interno desses recursos em vez de concentrar a atividade econômica na extração e exportação de matérias-primas.



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