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Jão estreia turnê de Memórias Póstumas em São Paulo

Cantor reuniu 60 mil pessoas em São Paulo com participações de Erika Hilton e Isabel Teixeira em show que debate a perda e o luto.

Deputada federal Erika Hilton sobe ao palco com Jão durante a canção Meninos e Meninas em São Paulo. Foto: Reprodução/Instagram

São Paulo, SP – Diante de um estádio lotado por 60 mil pessoas, o cantor Jão abriu nesta sexta-feira (25) a turnê do álbum “Memórias Póstumas” com uma apresentação marcada por encenações teatrais sobre o luto, pirotecnia em estrutura circular e manifestações em defesa da diversidade. O espetáculo marcou o reencontro do artista com o público após um período de afastamento da carreira provocado pela morte do pai, acontecimento que fundamentou as composições do novo trabalho lançado em 2026.

Pela primeira vez em sua trajetória, o músico utilizou uma estrutura de palco em formato 360º montada no gramado paulistano. Em um dos momentos centrais da noite, durante a execução da faixa “Literatura”, disparos de fogos de artifício iluminaram todo o perímetro da arena. As passagens entre os blocos musicais foram conduzidas por monólogos da atriz Isabel Teixeira, que personificou a Morte para refletir sobre a finitude e a existência, interagindo em cena com o ator Luiz Crepaldi, fantasiado de lobo-guará em alusão à base de fãs do cantor e ao seu primeiro disco de estúdio, “Lobos” (2018).

Atriz Isabel Teixeira atua como a Morte em monólogo reflexivo durante show de Jão em estádio paulistano. Foto: @morivafilmes/30E

A defesa dos direitos da população LGBTQIA+ ganhou o centro do palco na execução de “Meninos e Meninas”, canção voltada à bissexualidade. A deputada federal e candidata à reeleição por São Paulo, Erika Hilton, subiu à passarela para dançar e discursar ao lado do artista. “A nossa alegria é uma arte revolucionária”, afirmou a parlamentar em fala direcionada ao público.

No repertório, aberto com a canção “Aurora” e encerrado com “Catedral”, Jão intercalou sucessos de sua trajetória com faixas recentes, como “Jabuticabeira”, “Idiota”, “Me Lambe” e “Religião”. Em conversa com a plateia, o compositor comentou as transformações que vivenciou no luto. “Esse disco me fez olhar para os detalhes. O pão, o ‘bom dia’. Antes eu achava que tudo precisava ser sentido de um jeito absurdo, mas tudo pode ser sentido também no real, na reza. Essa música é sobre os detalhes de uma pessoa. Da minha pessoa”, disse.

Antes de deixar a cena, o cantor leu uma carta escrita à mão para detalhar a busca por acolhimento pessoal na produção artística. “O meu disco é o meu santuário, onde eu encontrei refúgio. Foram nessas músicas, nesse show. Nesse exato momento, se você tem alguém que sente falta, eu prefiro acreditar que [essa pessoa] está aqui com a gente, cantando e suando”, declarou. Até o momento, a data na capital paulista permanece como a única confirmada na agenda oficial da turnê.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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