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Mostra em Paris reúne mais de 200 fotos de Rafael Pavarotti

Mostra de fotógrafo brasileiro no Musée des Arts Décoratifs reúne fotos de moda e retratos de nomes como Beyoncé, Madonna e da modelo indígena Zaya Guarani.

O fotógrafo paraense Rafael Pavarotti, que abriu exposição individual no Musée des Arts Décoratifs, em Paris. Foto: Silvano Mendes, da RFI em Paris

Paris, França – O fotógrafo paraense Rafael Pavarotti abriu uma mostra individual no Musée des Arts Décoratifs, na capital francesa.

A exposição reúne mais de 200 fotografias. O acervo documenta desde os primeiros trabalhos feitos na periferia de Belém até campanhas para grandes grifes internacionais.

Com o título “Rafael Pavarotti, photographe”, a mostra entrou em cartaz em outubro de 2026 e segue aberta até 2 de maio de 2027.

O público encontra capas de revistas mundiais e retratos de nomes centrais da cultura pop, como Rihanna, Harry Styles, Beyoncé e Madonna. A modelo indígena Zaya Guarani também integra o conjunto exposto.

Pavarotti tem 33 anos e nasceu em 1993 no distrito de Icoaraci, em Belém. Aos 12 anos, pegou a câmera do pai para registrar praias e prédios abandonados da cidade.

O contato com o mundo da moda aconteceu dois anos depois, em 2004, ao assistir a um desfile do estilista John Galliano para a grife Dior.

Em entrevista ao curador Sébastien Quéquet, o fotógrafo afirmou que sua formação visual não partiu dos centros tradicionais de arte, mas das ruas e festividades populares do Norte do país.

“De onde venho, a moda sempre existiu como uma forma de expressão social e cultural. Cresci cercado pela potência visual de celebrações como o Boi-Bumbá, as Festas Juninas, o Círio de Nazaré e os sistemas de som de tecnobrega e do carimbó.”

Aos 15 anos, o fotógrafo deixou Belém. Ele viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Londres antes de se mudar de vez para Paris, em 2025.

Ao longo desse percurso, consolidou uma linguagem própria: contraste acentuado, peles negras em destaque central e paletas com cores saturadas.

A mostra apresenta desde as primeiras experiências do jovem no Pará até a série de retratos masculinos feita para a Double Magazine, em 2019.

Pavarotti também reúne ensaios publicados em veículos como The New York Times, W Magazine, Dazed, i-D, Perfect Magazine e edições da Vogue.

Em comunicado oficial do museu, o artista declarou que a saturação de suas imagens carrega memória política e territorial ligada ao Sul Global.

“A cor sempre foi mais do que um simples pigmento para mim. É ancestral, é um ritmo, um espírito, uma memória. É uma voz que existia antes de mim e continuará muito depois que eu partir. Ela representa algo maior, algo vivo, algo que pertence ao Sul Global e ao novo mundo que está tomando forma.”

A última sala do museu trata do compromisso ambiental do fotógrafo e de sua ligação com a floresta.

Pavarotti explicou ao curador que a escala monumental da Amazônia, o artesanato do pai e as peças vermelhas da avó formaram sua concepção de imagem.

“Essa magnitude moldou meu primeiro olhar. Ela definiu minha relação com a escala, com a presença e com o excesso como algo natural, e não extraordinário.”

Entre as figuras que orientam seu pensamento político, o paraense cita Dandara, Zumbi dos Palmares, Carolina Maria de Jesus e Maya Angelou.

Ele também destaca pensadores indígenas brasileiros contemporâneos, como Ailton Krenak, o cacique Raoni Metuktire e a psicóloga Geni Núñez.

No circuito da moda europeia, assinou trabalhos para marcas como Balenciaga, Mugler, Balmain, Chanel, Dior e Ferragamo.

Entre as personalidades fotografadas estão Gisele Bündchen, A$AP Rocky, Addison Rae, Charli XCX e a cantora Tyla.

Em 2022, assinou a capa da Vogue britânica com Beyoncé para o lançamento do álbum Renaissance. No ano seguinte, registrou Kim Kardashian na Vogue Italia.

Recentemente, dirigiu o ensaio do disco Confessions II, de Madonna. A cantora comentou a parceria em entrevista à revista italiana.

“Ele realmente consegue captar e expressar a personalidade das pessoas por meio de cores vibrantes. É um amante da arte, uma pessoa muito sensível, então pareceu natural colaborar com ele.”

O Musée des Arts Décoratifs fica no número 107 da rue de Rivoli. O espaço abre de terça a domingo, das 11h às 18h, com sessões até 21h às quintas-feiras.

Os ingressos custam entre 10 e 15 euros (cerca de R$ 59 a R$ 88), com entrada gratuita para menores de 26 anos. A instituição oferece visitas guiadas e oficinas práticas para adolescentes de 11 a 14 anos.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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