Menlo Park, Estados Unidos – A Meta apresentou uma nova linha de aparelhos integrados ao assistente de inteligência artificial Muse, em um movimento para colocar a ferramenta nas tarefas diárias dos usuários, enquanto enfrenta questionamentos sobre privacidade e invasão de dados. Durante o evento corporativo Connect, realizado na quarta-feira, o presidente da empresa, Mark Zuckerberg, e diretores da marca mostraram óculos de realidade virtual leves, modelos da linha Ray-Ban sem câmeras e um acessório em formato de chaveiro voltado para comandos de voz diretos.
O anúncio acontece em um período de cobrança de analistas e investidores, que exigem resultados práticos após os altos investimentos da companhia em infraestrutura e contratação de profissionais para o setor. O plano busca posicionar a empresa diante de concorrentes como o OpenClaw, o Codex da OpenAI e o Claude da Anthropic. “As pessoas do setor têm uma grande variedade de opiniões sobre como será o futuro”, disse Zuckerberg durante a apresentação. “Mas na Meta, somos otimistas porque acreditamos nas pessoas.”
Entre as novidades estão óculos de realidade virtual que funcionam como computador pessoal e tela de exibição para filmes e jogos, com custo anunciado de US$ 1.299 para o lançamento na primavera norte-americana. O equipamento exibe telas virtuais ao redor do usuário e permite ditar e-mails, editar textos e marcar reuniões pelo agente de IA enquanto a pessoa realiza outras atividades. Com peso equivalente ao de um baralho de cartas, o aparelho tenta competir pelo valor com produtos rivais, como o Galaxy XR da Samsung (US$ 1.700), que roda o assistente Gemini, e o Apple Vision Pro (US$ 3.700).
Além do headset, a empresa revelou o Muse Charm, um pingente do tamanho de um chaveiro projetado para acessar o assistente sem a necessidade de destravar celulares ou usar óculos. O dispositivo deve chegar ao mercado antes das festas de fim de ano.
O avanço ocorre em meio à rejeição pública a dispositivos de vigilância vestíveis. Lançados em 2023, os óculos inteligentes anteriores da Meta geraram revolta social após flagrantes de captação de imagens sem autorização. Em fevereiro, a CNN denunciou o uso dos aparelhos para filmar mulheres sem consentimento e expor os registros nas redes sociais. A cantora Lorde criticou abertamente os óculos, e o uso do acessório foi banido ou restringido em tribunais de Nova York, piscinas públicas na Austrália e bares de Londres.
Para tentar contornar a desconfiança e o histórico de vigilância indevida, a Meta anunciou uma versão dos óculos Ray-Ban sem câmeras, equipada apenas com microfones e alto-falantes para chamadas e consultas de voz. O modelo sem lentes de gravação custará US$ 349 e chega às lojas em 13 de outubro, sendo mais leve e com maior autonomia de bateria. Já o Ray-Ban Meta Gen 3, que mantém as câmeras integradas, começou a ser vendido a partir de US$ 449.
No campo operacional, o assistente Muse passará a executar aplicativos e tarefas administrativas no sistema Mac e a realizar compras em redes varejistas como Walmart, Gap, GameStop e Wayfair. A integração com o Walmart ocorre após a Amazon bloquear o funcionamento do Muse em sua plataforma comercial. Segundo Alexandr Wang, diretor de inteligência artificial da Meta, o sistema pode atuar de forma autônoma: “Você pode usá-lo para ajudar a administrar sua pequena empresa ou simplesmente para realizar tarefas para você. Você pode se afastar do computador e ele continuará trabalhando em todas as tarefas que você tiver agendado”.
Apesar dos temores populares sobre agentes autônomos invadindo sistemas sem permissão, a ferramenta da Meta acumula mais de 2,5 milhões de downloads segundo a consultoria Sensor Tower, embora ainda permaneça distante da base de concorrentes consolidados. Zuckerberg afirmou que espera alcançar bilhões de usuários para o Muse nos próximos anos.



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