São Paulo, SP – Em encontro com empresários nesta sexta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a disputa eleitoral não funciona como uma mesa de apostas desmedidas. Ao defender a combinação entre responsabilidade social e equilíbrio das contas públicas, o presidente declarou que “eleição não é um jogo de truco para blefar” e alertou que quem aposta de forma leviana durante a campanha acaba sofrendo as consequências políticas e econômicas.
Diante da plateia empresarial, Lula sustentou que cortes no orçamento da Previdência Social têm um histórico comprovado de aprofundar a desigualdade no país. “O corte na Previdência deixa o pobre mais pobre”, disse, ao pontuar que o equilíbrio fiscal precisa caminhar com o amparo à população vulnerável, fórmula que defende ter mantido ao longo de seus mandatos anteriores.
A fala tocou diretamente no impacto das decisões políticas sobre a vida da maioria dos trabalhadores brasileiros. O presidente pediu que os presentes avaliassem o perfil do projeto de país colocado em disputa, dividindo as opções entre governar para parcelas restritas ou para a totalidade dos cidadãos. “Tem que ver o país que a gente quer, que seja governado para 35% ou para 100% da população, e é isso que está na mesa. Vocês estão vendo quem são os candidatos, não preciso falar mal de ninguém, e vocês sabem quem tem capacidade de governar esse país. Qual é a dúvida? Se vocês estivessem entre mim e um gênio, mas não é essa escolha que vocês estão fazendo”, declarou.
Para Lula, a previsibilidade econômica depende de três pilares: estabilidade política, sustentação partidária e segurança jurídica. O mandatário afirmou que a condução do país exige uma trajetória pública consolidada: “o governante tem que ter biografia, tem que ter história”. Em seguida, argumentou que a ausência de uma base partidária sólida gerou crises severas em mandatos recentes da história brasileira. Sobre as regras legais, o presidente classificou a estabilidade jurídica atual como “uma coisa muito incerta nesse país”.
Para exemplificar os prejuízos causados aos cofres públicos por manobras no sistema financeiro e judicial, o presidente citou o caso do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as disputas em torno de títulos de dívida vinculados ao setor sucroalcooleiro. “Essa semana mesmo pegamos o Vorcaro tentando assaltar os cofres públicos, 4,7 bilhões, o negócio do álcool. Você acha que a gente fica feliz em pagar bilhões em precatórios?”, disse Lula, referindo-se aos impactos fiscais de cobranças judiciais bilionárias contra a União.
O presidente também criticou as pressões do mercado e do meio político para alterar regras tributárias que mal entraram em vigor. Lula lembrou que a aprovação da reforma tributária era tida como improvável por diversos setores e cobrou paciência para que as medidas sejam aplicadas antes de novas revisões. “Quem acreditava que podíamos fazer a reforma tributária? Nem entrou em vigor e já querem mudar outra vez. É preciso experimentá-la para saber o que vai dar certo e o que não vai”, concluiu.



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