Nova York, EUA – O governo de Cuba reagiu duramente às falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feitas durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e o ministro das Relações Exteriores da ilha, Bruno Rodríguez, rechaçaram os ataques da Casa Branca, reafirmaram a independência e a soberania do país caribenho e denunciaram o impacto direto das sanções econômicas americanas na vida da população da ilha.
Durante seu discurso na sede da ONU, Trump chamou Cuba de “estado falido” e “fracassado”, declarou que a liberdade chegaria ao país e disse que o regime castrista vai cair. O líder americano também afirmou que usaria a força contra nações da América Latina. No momento em que Trump começou a discursar contra Cuba, a delegação cubana se levantou e abandonou a sessão plenária da Assembleia Geral em sinal de protesto.
Miguel Díaz-Canel classificou as posições de Trump como “arrogantes”, “prepotentes” e “intervencionistas”, apontando que elas expressam uma “mentalidade genocida e criminosa de desprezo em relação a Cuba e ao povo cubano”. O presidente defendeu a Revolução Cubana de 1959 em meio à crise que afeta o cotidiano dos cidadãos e rebateu a promessa do governo norte-americano: “A liberdade chegou a Cuba em 1.º de janeiro de 1959, com aquela Revolução, e não vamos perder essa liberdade”, disse Díaz-Canel.
O presidente cubano também responsabilizou os Estados Unidos pela falta de combustível na ilha, situação que tem causado cortes sistemáticos de energia e apagões em várias regiões do território cubano. Segundo ele, as palavras de Trump deixaram evidente o desprezo pelos povos latino-americanos e caribenhos, em especial pelo projeto político cubano.
Na mesma linha, o chanceler Bruno Rodríguez usou sua conta na rede social X para rebater as falas do mandatário norte-americano. Rodríguez afirmou que a Casa Branca não aceita o fato de que Cuba tem o direito de existir como nação soberana. “Nenhuma das falsidades do presidente dos EUA na ONU e nenhuma calúnia podem nem poderão negar esse fato”, escreveu o ministro.
Rodríguez assegurou que o país não representa perigo para a segurança internacional. “Cuba não é uma ameaça para os EUA nem para nenhum país. O bloqueio econômico, incluído o cerco energético, sim, ameaça Cuba e o resto das nações. É um ato de genocídio e castigo coletivo”, argumentou o chefe da diplomacia cubana, relacionando a pressão de Washington à carência de suprimentos básicos que atinge a população civil.
Horas após o confronto diplomático na ONU, governos da América Latina alinhados a Washington na coalizão Escudo das Américas anunciaram a aplicação de sanções conjuntas contra organizações criminosas que atuam no continente, tendo como alvos grupos armados como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).



Deixe um comentário