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Tratores de Israel nivelam Gaza sem respeito aos mortos, diz ONU

Destruição por escavadeiras e explosivos em Gaza ameaça provas de crimes de guerra e impede resgate adequado de famílias inteiras soterradas.

Familiares aguardam identificação forense de vítimas resgatadas dos escombros na Cidade de Gaza. Foto: Ali Jadallah – Anadolu Agency

Genebra, Suíça – Máquinas pesadas das forças militares de Israel continuam a nivelar áreas inteiras da Faixa de Gaza sem qualquer consideração pelas vítimas soterradas, denunciou nesta terça-feira o alto-comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk. Em declaração divulgada pela agência Anadolu, o representante alertou que a destruição sistemática de estruturas residenciais e públicas impede o resgate digno de milhares de pessoas e ameaça a preservação de provas indispensáveis para apurar possíveis crimes de guerra.

“Grande parte de Gaza foi arrasada pelos bombardeios israelenses ou pela demolição e remoção de estruturas com máquinas pesadas e explosivos. Hoje, muitas áreas de Gaza onde o Exército israelense está mobilizado continuam sendo niveladas por tratores, sem respeito pelos mortos sob os escombros”, afirmou Türk em comunicado por escrito.

O alto-comissário expressou alarme diante da retirada de restos mortais pertencentes ao que aparentam ser famílias inteiras, observando que o material encontrado até agora pode representar apenas a ponta do iceberg da tragédia humana no território. Estimativas apontam que cerca de 8 mil corpos permanecem presos sob toneladas de concreto e ferro retorcido. Dados da Defesa Civil local indicam que mais de 630 corpos e fragmentos humanos foram resgatados apenas no intervalo entre novembro de 2025 e setembro de 2026.

Segundo Türk, o trabalho árduo e meticuloso de busca traduz a gravidade e a dimensão da devastação iniciada há três anos, somada ao desespero de famílias que vivem sob anos de angústia sem saber o destino de parentes desaparecidos. Ele cobrou ações concretas para documentar cada vítima encontrada, recolher material genético e dados periciais, mapear os pontos exatos de sepultamento e notificar os familiares com dignidade.

O chefe de direitos humanos da ONU enfatizou que Israel tem o dever, amparado nas leis internacionais, de procurar desaparecidos, prestar esclarecimentos e resgatar os mortos. Conforme destacou, enterrar os corpos não elimina a obrigação legal de investigar as circunstâncias em que essas vidas foram tiradas. Ele apontou o impacto desproporcional de bombardeios contra edifícios residenciais, que mataram civis em massa, incluindo crianças, mulheres e pessoas com deficiência física.

Para Türk, a localização de cadáveres em larga escala na Cidade de Gaza reforça suspeitas consistentes de violações graves do direito internacional humanitário e atrocidades de guerra. O representante exigiu que investigadores independentes tenham livre acesso a todos os pontos da Faixa de Gaza para recolher evidências técnicas e apelou à comunidade internacional para que pressione pelo cumprimento de procedimentos humanos de busca e pela responsabilização formal dos autores dos ataques.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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