Nova York, Estados Unidos – O Memorial do 11 de Setembro guarda, cravados em placas de bronze, os nomes de 2.753 pessoas que morreram na queda das Torres Gêmeas. Entre eles figuram três brasileiros reconhecidos oficialmente: Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, Anne Marie Sallerin Ferreira e Sandra Fajardo Smith. Porém, a lista de vítimas nunca registrou outros dois nomes de cidadãos que trabalhavam no World Trade Center naquele dia: o engenheiro capixaba Nilton Albuquerque Fernão Cunha e o engraxate mineiro Claudino Antunes Braga.
Nilton Cunha, de 41 anos, viajou para Nova York a trabalho e prestava serviços a importadoras de componentes eletrônicos. No momento dos atentados, estava no 108º andar da Torre Norte, nas instalações de uma empresa japonesa. Poucos dias antes da tragédia, mandou uma mensagem a contatos relatando a rotina no topo do prédio: “Estou cem andares acima do solo, dá para sentir frio”. Ele planejava voltar ao Brasil em 12 de setembro para a casa da mãe, idosa de quem cuidava. Após a queda das torres, formulários chegaram a ser enviados para coleta de material genético com os parentes no Brasil, mas o envio não aconteceu, deixando o engenheiro fora dos arquivos oficiais.
Já a trajetória de Claudino Braga revela a realidade de trabalhadores que cruzam fronteiras sem documentação. Mineiro da periferia de Belo Horizonte, ele tinha 48 anos e atravessou a pé a divisa do México com os Estados Unidos poucas semanas antes do atentado. A esposa e os três filhos nem sabiam que ele estava em solo norte-americano. Seu último contato foi com um primo, a quem contou por telefone que havia conseguido emprego engraxando sapatos no complexo do World Trade Center. Depois daquele dia, nunca mais deu notícias. Sem documentos de entrada e sem amostras de DNA entregues pela família, seu nome foi apagado da contagem formal de vítimas.
O Itamaraty chegou a registrar pedidos de busca para 93 brasileiros logo após os ataques. Quase todos foram localizados com vida nas semanas seguintes, restando cinco pessoas sem paradeiro confirmado. No entanto, o governo brasileiro alega que o reconhecimento de óbito cabe unicamente às autoridades dos Estados Unidos. Em Nova York, o escritório de medicina legal ainda guarda 47 perfis de DNA não identificados retirados dos escombros e utiliza a genealogia genética para cruzar dados com bancos comerciais de parentes distantes, enquanto as famílias de Nilton e Claudino seguem sem certidão de óbito ou homenagem oficial.



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