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Pesquisa mede efeitos do turismo na rotina de Foz

Consulta pública lançada no Sebrae quer saber se melhorias urbanas beneficiam quem reside na cidade ou apenas os visitantes.

Trânsito e serviços públicos entram na avaliação dos moradores sobre o turismo em Foz do Iguaçu. Foto: Assessoria/Pesquisa Sebrae.

Foz do Iguaçu, PR – O movimento Foz Destino Inteligente lançou a pesquisa “Percepção da Comunidade sobre o Turismo em Foz do Iguaçu”, voltada a ouvir quem vive na cidade da fronteira sobre as transformações urbanas, a mobilidade e as decisões do setor. A apresentação do formulário ocorreu nesta quarta-feira (2), na sede do Sebrae, durante reunião com lideranças de bairros. Os moradores já podem participar respondendo diretamente pelo formulário online da pesquisa.

O questionário busca mapear se o morador percebe melhorias reais na sua rotina ou se os investimentos públicos e privados atendem apenas às demandas de quem vem de fora. A consulta investiga como a atividade econômica afeta a segurança, o transporte público, o trânsito, a infraestrutura das ruas, os espaços públicos de lazer e a acessibilidade. Além disso, a população pode apontar problemas crônicos, registrar reivindicações e opinar sobre a gestão das políticas municipais.

“Mais do que saber se a população considera o turismo uma atividade importante, queremos entender como essa atividade se conecta com a qualidade de vida, com o sentimento de pertencimento e com a própria experiência de viver Foz do Iguaçu. Essa escuta pode revelar oportunidades que muitas vezes não aparecem quando analisamos apenas os indicadores econômicos ou a percepção dos visitantes”, afirmou Maisa Silvestre, gerente de projetos em turismo do Sebrae.

A pesquisa busca identificar também quem está fora da cadeia direta de serviços, mas sente as pressões urbanas causadas pelo fluxo constante de visitantes.

“Um morador que trabalha no comércio, no supermercado, em um posto de combustível, em um restaurante ou presta um serviço que não é diretamente ligado ao turismo também pode ser beneficiado por essa movimentação. E existem os impactos, como no trânsito, na ocupação dos espaços públicos e na demanda por serviços e infraestrutura. Mesmo que uma pessoa nunca tenha atendido um turista, ela vive em uma cidade diretamente influenciada pelo turismo”, explicou Jelyton Santos, presidente da Liga Independente de Guias de Turismo de Foz do Iguaçu (LIGUIA) e voluntário da iniciativa.

Para a liderança do setor de turismo, a participação popular direta é condição para reduzir desigualdades na distribuição dos recursos públicos arrecadados com a atividade.

“Quando a comunidade participa mais, o planejamento turístico passa a refletir melhor as necessidades e potencialidades de cada região da cidade. Isso amplia a transparência e ajuda a construir soluções mais equilibradas, fazendo com que os benefícios do turismo sejam percebidos não apenas pelos visitantes, mas por toda a população”, declarou Renata Sakamoto, presidente do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR).

Segundo Maisa Silvestre, o levantamento terá destinação prática para a cobrança de políticas públicas: “Não queremos uma pesquisa que vire uma pesquisa de gaveta. A partir dela, queremos identificar onde estão as principais oportunidades, os pontos de atenção e as prioridades percebidas pela população para transformar essa escuta em ações”.

Histórico e governança do movimento

O Foz Destino Inteligente – Movimento DTI começou como um grupo de trabalho instituído por decreto municipal em 2022. Três anos depois, em 2025, o coletivo ampliou sua atuação voluntária com técnicos, gestores públicos, empresários, universidades e entidades da sociedade civil. A coordenação executiva é dividida entre o Sebrae, o COMTUR e o Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (CMCTI).

O modelo de Destino Turístico Inteligente (DTI) adota diretrizes internacionais adaptadas ao contexto brasileiro pelo Ministério do Turismo. A metodologia exige planejamento orientado por dados, governança comunitária, sustentabilidade ambiental, mobilidade e acessibilidade, ultrapassando a simples digitalização de serviços. No ranking oficial, o município paranaense é classificado como “DTI em Transformação”.

SERVIÇO

Pesquisa: Percepção da Comunidade sobre o Turismo em Foz do Iguaçu

  • Quem pode participar: Moradores de Foz do Iguaçu com 16 anos ou mais.
  • Tempo estimado: Cerca de 10 minutos para preenchimento.
  • Sigilo: Respostas anônimas e analisadas em conjunto.
  • Link para responder: Acesse o formulário oficial da pesquisa
  • Uso dos dados: Os relatórios serão públicos e enviados à Prefeitura Municipal, órgãos públicos e entidades do setor.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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