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TikTok retira 8 milhões de vídeos e 2 milhões de contas no Brasil

Plataforma prestou contas exigidas pela lei brasileira e detalhou cortes por exploração comercial, violações sexuais e danos à saúde mental.

Plataformas digitais precisam prestar contas sobre mecanismos de segurança para menores. Foto: Divulgação/TikTok

Brasília, DF – Pressionado pelas regras de proteção a menores na internet brasileira, o TikTok removeu 7,96 milhões de vídeos no país no primeiro semestre de 2026. Os dados integram o primeiro Relatório de Transparência do ECA Digital, documento oficial que as grandes empresas de tecnologia são obrigadas a apresentar ao governo para detalhar o combate a riscos e abusos contra crianças e adolescentes no ambiente virtual.

O balanço reflete a entrada em vigor de uma fase de maior fiscalização estatal sobre as operações das big techs no Brasil. Do total de materiais tirados do ar entre janeiro e junho, 7,89 milhões foram derrubados de forma proativa pelos próprios filtros da rede, antes que chegassem denúncias de usuários. Outras 69,66 mil publicações caíram apenas após alertas enviados diretamente aos canais de atendimento da plataforma.

A ofensiva da legislação também atingiu o acesso de crianças às contas. O TikTok baniu 2.030.651 perfis suspeitos de pertencer a usuários com menos de 13 anos, limite de idade estabelecido pelas regras do país. A empresa recebeu 322,3 mil pedidos de contestação contra esses bloqueios e acabou restaurando 212,66 mil contas depois de avaliar as justificativas de usuários ou responsáveis.

Os dados mostram a grande quantidade de publicações que deixam a infância e a juventude expostas a riscos diretos e à exploração comercial dentro do aplicativo. O grupo de temas adultos concentrou a maior fatia das ações preventivas: foram cerca de 2,35 milhões de vídeos retirados por exposição do corpo e comportamentos sexualizados. Já entre os conteúdos retirados após queixas dos usuários, essa mesma categoria liderou as denúncias, somando cerca de 29 mil vídeos apagados.

O comércio ilegal e os crimes financeiros direcionados a esse público também puxaram os cortes. O TikTok excluiu 1,68 milhão de vídeos que divulgavam produtos e serviços regulamentados de forma irregular, além de 567,11 mil publicações ligadas a fraudes e golpes virtuais.

O documento aponta ainda ações contra materiais associados à violência, criminalidade, perseguição e manifestações de ódio. Em segurança e civilidade, a rede eliminou mais de 19 mil vídeos a partir de queixas enviadas pela comunidade.

Em relação à segurança física e ao bem-estar dos jovens, 5,58 mil vídeos foram retirados após denúncias, o que engloba conteúdos com abuso físico e sexual de menores e o desrespeito à idade mínima da plataforma. Outras 4,83 mil postagens denunciadas foram excluídas por ameaças à saúde mental, incluindo desafios perigosos, transtornos alimentares, práticas perigosas de controle de peso, automutilação e incentivo ao suicídio.

A entrega desse balanço abre a cobrança formal sobre as obrigações que as plataformas precisam cumprir no Brasil, impondo restrições a formatos e algoritmos que lucram enquanto expõem crianças e jovens a violações no espaço digital.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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