Por Marco Roberto de Souza Albuquerque – Opinião
Considerações a propósito do vídeo da BBC News “Por que ser ‘podre de rico’ na China deixou de ser bem visto”.
Entre nós outros, desenvolveu-se uma miopia socioeconômica: sempre expressamos nossa indignação contra os “políticos”, contra a “classe política” — e deixamos de ver o óbvio: as autoridades, detenham elas o poder, seja por via eleitoral, seja por via hierárquica — defendem os interesses de consórcios oligárquico-financeiros, e seus privilégios advêm dessa subserviência.
Em sociedades como a nossa (e também a chinesa, entre outras, classificadas como “emergentes”) o fulcro da problemática político-econômica, mais do que a pobreza — é a desigualdade.
O Brasil, antes do desmonte de sua economia por meio da operação Lava-Jato — a qual levou à falência o parque empreiteiro do país, desempregou milhões de trabalhadores e inviabilizou a participação de empresas nacionais nas obras de infraestrutura dos mercados africano e latino-americano — havia superado a miséria e saído do mapa da fome; contudo, mesmo nesses tempos mais fartos, persistia a desigualdade.
E essa desigualdade não se deve aos “políticos”: deve-se às classes que se valem do Estado para garantir a ampliação de sua participação — que já é grande — no acesso ao sistema social de oportunidades.
Por isso não nos esqueçamos, ao expressarmos nossa indignação, seja contra a pobreza, seja contra a desigualdade, de que — quando nos chegam fatias cada vez menores do “bolo” — é porque uma Havan, uma AmBev ou um Bradesco estão concentrando pedaços cada vez maiores para si.
E não é por mérito, esclareça-se: é por sonegação fiscal, privilégio tributário, isenção de impostos, obtenção de financiamento público, práticas de monopólio ou de oligopólio — entre outras sujeiras.
Por isso sim: reclamemos da classes política; contudo não nos esqueçamos dos consórcios oligárquico-financeiros para os quais os políticos trabalham. E que são os maiores beneficiários, na concentração dos pedaços do “bolo” — seja da pobreza, seja da desigualdade.
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