BRASÍLIA, DF — A Casa de Moneda da Argentina, instituição estatal vinculada ao governo do presidente Javier Milei, descumpriu o pacto financeiro firmado com a Casa da Moeda do Brasil e não realizou o pagamento das duas primeiras parcelas de uma dívida que soma R$ 63,6 milhões. Os valores, referentes a contratos de impressão de cédulas de peso argentino executados em fábrica brasileira entre os anos de 2021 e 2023, tinham vencimento programado para os meses de junho e julho deste ano, mas não foram quitados pela gestão vizinha.
O rombo financeiro e o descumprimento dos prazos pela Argentina de Milei afetam diretamente o planejamento de caixa da empresa pública brasileira, acendendo um alerta sobre o impacto econômico em serviços estatais e compromissos operacionais do setor público nacional.
Origem do litígio e histórico de inadimplência
A disputa entre as duas instituições arrasta-se desde o período em que a estatal brasileira foi contratada para suprir a demanda por papel-moeda no país vizinho. Para colocar fim ao litígio e evitar desdobramentos judiciais mais severos, um entendimento formal foi assinado em dezembro do ano passado, no qual a Casa de Moneda argentina reconheceu formalmente a dívida de R$ 63,6 milhões e comprometeu-se a quitar o montante de forma parcelada. Apesar do alinhamento formalizado, o calote das parcelas de junho e julho reabre a crise de inadimplência, segundo revelou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Esta não é a primeira vez que a estatal argentina falha em honrar seus compromissos com o Brasil. Ainda em 2023, a instituição já havia deixado de cumprir acertos financeiros relativos à fabricação das notas de pesos em solo brasileiro, acumulando pendências não apenas com a Casa da Moeda do Brasil, mas também com outros fornecedores do setor. Na oportunidade em que foi questionada pela imprensa sobre os sucessivos atrasos, a instituição argentina justificou os calotes alegando uma severa crise nas contas públicas e informou que buscava renegociar débitos anteriores. O novo calote sob a gestão de Javier Milei tensiona novamente as relações comerciais entre as estatais dos dois países.



















