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Lula: “Vamos derrotar quem beija bandeira dos EUA”

Em Fortaleza, presidente defendeu controle sobre riquezas minerais, criticou submissão aos EUA e denunciou o ralo financeiro das bets.

Presidente discursa para milhares de pessoas sobre soberania e dívidas das famílias no Ceará. Foto: Divulgação.

Fortaleza, CE – Em ato de campanha realizado nesta terça-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a eleição deste ano coloca em disputa a soberania nacional frente a grupos políticos que representam a submissão aos Estados Unidos. Durante comício em Fortaleza, capital do Ceará, Lula mobilizou milhares de apoiadores ao lado de aliados locais e declarou que a população decidirá nas urnas se o país terá autonomia sobre o próprio território e suas riquezas ou se ficará subordinado a interesses estrangeiros.

Antes dos discursos, Lula participou de uma caminhada pelas ruas da capital cearense em apoio à chapa local formada por Elmano de Freitas para o governo do estado, com Cid Gomes e Luizianne Lins concorrendo ao Senado Federal. Ao discursar para o público presente, o presidente contextualizou o pleito presidencial para além de uma rivalidade partidária comum. Segundo ele, o processo eleitoral não se resume a dois nomes, mas se estrutura como “uma disputa entre a democracia e a barbárie”, sustentando que o país precisa derrotar o bolsonarismo nas urnas no próximo dia 4.

Lula criticou o alinhamento de seus oponentes aos Estados Unidos e classificou adversários como traidores da pátria, afirmando que setores bolsonaristas praticam demagogia com símbolos nacionais. “Esta eleição é uma disputa entre um projeto de Brasil, entre nós, que amamos o nosso país e que gostamos da nossa bandeira, e aqueles que fazem demagogia, mas, de noite, beijam e se enrolam na bandeira americana”, declarou. O presidente disse ainda que a mobilização popular servirá para barrar a entrega de riquezas minerais brasileiras ao capital externo.

Sem citar expressamente o adversário Flávio Bolsonaro (PL), Lula mirou o núcleo da campanha concorrente ao condenar a postura política subserviente atribuída a essa ala. “É isso que está em jogo. Se o Brasil vai ser dono do seu quintal ou vai vir alguém aqui dar palpite na nossa vida. Se a gente vai eleger uma pessoa que tem caráter, biografia e que tem compromisso com o Brasil ou um vira-lata que vive puxando o saco do [presidente dos EUA, Donald] Trump”, afirmou.

Além do debate sobre soberania e diplomacia, o presidente abordou as consequências socioeconômicas dos jogos de apostas online, as chamadas bets, na vida das famílias trabalhadoras. Lula sustentou que a proliferação das plataformas gerou endividamento generalizado e agravou problemas de saúde coletiva nas periferias. Ele afirmou que tomou a decisão de acabar com as bets para interromper um ciclo de dependência financeira que “infernizou a vida dos pobres no Brasil”, relatando ter presenciado casos de endividamento extremo e episódios de suicídio associados às perdas com as apostas.

O impacto dessas empresas no esporte também foi tratado pelo presidente, que argumentou que o futebol brasileiro mantinha um padrão melhor antes da invasão dos patrocínios de apostas esportivas. Para Lula, os clubes profissionais têm capacidade de se sustentar financeiramente sem depender de esquemas que retirem a renda doméstica dos torcedores de baixa renda, que já gastam com ingressos e uniformes e não deveriam comprometer o orçamento doméstico para alimentar os lucros dos operadores de jogos.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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