Brasília, DF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na quarta-feira (30) que pretende comprar uma distribuidora de combustíveis caso seja reeleito, com o objetivo de ampliar a capacidade do governo de acompanhar e controlar os preços praticados no mercado brasileiro. A declaração foi dada quatro dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, em meio à pressão provocada pela alta do petróleo no mercado internacional.
Lula criticou a privatização da BR Distribuidora, empresa que pertencia à Petrobras e teve o controle acionário vendido durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). A companhia passou posteriormente a se chamar Vibra Energia. Para Lula, a venda retirou do Estado um instrumento que poderia ser usado para atuar sobre a formação dos preços dos combustíveis.
“Vou comprar uma distribuidora (…), vamos reconquistar o direito do povo brasileiro de controlar esses aspectos”, afirmou o presidente.
Ele não apresentou detalhes sobre qual empresa poderia ser adquirida, quanto a operação custaria ou de que forma o governo realizaria a eventual compra.
Ao falar sobre a antiga BR Distribuidora, Lula questionou a decisão de privatizar a empresa. “Por que vender a BR? O que ganhamos com a privatização?”, perguntou.
A proposta foi apresentada em um momento de alta do petróleo e de medidas adotadas pelo governo para tentar conter o impacto dos preços internacionais sobre o mercado brasileiro. O Executivo manteve o subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel, criado para reduzir a pressão sobre o preço do combustível.
A medida está relacionada à alta do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio. O preço do barril chegou a superar os US$ 100, aumentando os custos de importação e pressionando os preços praticados no mercado interno.
O governo também anunciou o aumento das multas aplicadas a empresas que elevarem os preços dos combustíveis “sem justa causa”. As penalidades podem chegar a R$ 500 milhões, dependendo da infração e da empresa envolvida.
A discussão sobre os preços dos combustíveis também recoloca no centro do debate o papel da Petrobras e das empresas estatais na economia brasileira. Lula defende a participação do Estado em setores considerados estratégicos e tem criticado privatizações realizadas nos últimos anos.
A proposta de compra de uma distribuidora contrasta com o programa defendido pelo senador Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na disputa presidencial. Flávio Bolsonaro defende a redução dos gastos públicos e a ampliação das privatizações, além de uma aproximação maior do Brasil com os Estados Unidos, tendo como referência medidas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei.
Lula relacionou essa orientação a uma discussão mais ampla sobre a soberania brasileira. Ao criticar uma política externa alinhada aos Estados Unidos, afirmou: “Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a participar das eleições gerais deste domingo (4). Além de presidente da República, os brasileiros votarão para governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.
A eventual compra de uma distribuidora ainda não tem empresa definida, valor anunciado ou contrato. A declaração de Lula, portanto, representa uma proposta de campanha. Caso seja colocada em prática, a medida poderá ampliar a presença direta do Estado na cadeia de distribuição de combustíveis e abrir uma nova discussão sobre o papel das empresas públicas na formação dos preços pagos pelos consumidores.
O debate ocorre enquanto o governo utiliza outros mecanismos para tentar conter a pressão sobre o diesel. Além do subsídio, as autoridades aumentaram a fiscalização sobre a cadeia de combustíveis e estabeleceram multas mais altas para empresas que pratiquem aumentos considerados injustificados.
Para os consumidores, a discussão envolve diretamente o preço do diesel e seus efeitos sobre o transporte de cargas, o custo de produtos e serviços e a formação dos preços no mercado interno. Para o governo, a compra de uma distribuidora seria também uma forma de recuperar capacidade de atuação em um setor considerado estratégico para a economia nacional.



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