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Ex-sócio expõe mensagens e acusações contra Flávio Bolsonaro

Mensagens, fotos e documentos foram revelados pelo PlatôBR a poucos dias do primeiro turno das eleições

Alexandre Santini foi sócio de Flávio Bolsonaro em uma franquia da Kopenhagen no Rio. Foto: EFE.

São Paulo, SP – O senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, enfrenta novas acusações a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026 após a divulgação de mensagens, fotografias, documentos e outros registros reunidos por Alexandre Santini, ex-sócio e antigo amigo do parlamentar.

O material, revelado pelo site PlatôBR em 29 de setembro, relata festas privadas com garotas de programa, despesas pessoais pagas por pessoas próximas, a compra de um Rolex de R$ 305 mil e uma suposta tentativa de intermediação de interesses junto ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Santini e Flávio foram sócios em uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A sociedade terminou após uma disputa financeira. Em 2023, o ex-sócio acionou a Justiça para cobrar R$ 1,47 milhão, alegando divisão desigual dos lucros e despesas da empresa que não teriam sido reembolsadas. Flávio negou a existência da dívida. Durante o conflito, Santini preservou mensagens e fotografias relacionadas à vida pessoal do senador.

Entre os documentos divulgados está a nota fiscal de um Rolex Submariner Date de ouro branco, comprado em fevereiro de 2022 por R$ 305 mil. O documento está em nome do advogado Alan Belaciano. Segundo a apuração do PlatôBR, mensagens mantidas por Santini indicam que o relógio teria sido comprado para Flávio. Belaciano também teria pago mais de R$ 90 mil por equipamentos de academia instalados na residência do senador. Flávio afirmou anteriormente que o relógio havia sido adquirido por um amigo como um empréstimo pessoal que seria quitado.

As mensagens também mencionam um possível contato entre Flávio e Kassio Nunes Marques. Segundo Santini, no fim de 2023 o senador teria procurado diretamente o ministro para tratar dos interesses de um cliente ligado ao ex-sócio. O material menciona ainda um possível jantar com integrantes do gabinete do ministro. A reportagem, porém, não identificou o cliente ou o processo e não apresentou comprovação independente de que a intermediação tenha ocorrido. A assessoria de Nunes Marques afirmou que o ministro recebe parlamentares de diferentes partidos e que isso não compromete sua imparcialidade.

Outro conjunto de registros trata de encontros privados com garotas de programa. De acordo com o material divulgado pelo PlatôBR, Santini teria guardado conversas com uma mulher apontada como possível intermediária desses encontros. Em meio à disputa entre os antigos sócios, parte desse conteúdo teria sido mostrada a Fernanda Bolsonaro, mulher do senador. Posteriormente, Flávio escreveu a Santini dizendo ter se arrependido de “muitas escolhas erradas” e afirmando que não voltaria a errar com sua família. A mensagem não esclarece a quais episódios ele se referia.

As novas revelações se somam a outro caso que já colocou Flávio no centro de uma investigação judicial: o financiamento do filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro. Documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República apontam que Flávio atuou como interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas negociações para financiar o longa. Pelo menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente transferidos para a produção, enquanto as negociações envolveriam até US$ 24 milhões.

Vorcaro está preso e é investigado por uma fraude bilionária relacionada ao Banco Master. Segundo documentos da investigação, parte dos recursos destinados ao filme passou pelo fundo Havengate, ligado ao advogado Paulo Calixto, que também atuava para Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal afirmou que mensagens indicam que Eduardo dava orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos. O caso está sob investigação, e Flávio passou a ser formalmente investigado no STF.

Em setembro, Flávio defendeu a retirada do sigilo das investigações sobre “Dark Horse” e afirmou que a abertura dos documentos demonstraria a inexistência de irregularidades. Em outra ocasião, ao comentar uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso, chamou a ação de “fajuta” e disse que seus adversários precisavam “inventar alguma coisa” contra ele.

A situação também atinge outros integrantes da família Bolsonaro. Jair Bolsonaro foi condenado em 2025 a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, foi condenado pelo STF, em junho de 2026, a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, em razão de sua atuação nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras durante o julgamento do pai. Em setembro, recebeu ainda uma condenação de um ano de detenção por difamação contra a deputada Tabata Amaral.

Na reta final da campanha, Flávio disputa o primeiro turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisas divulgadas nos últimos dias apresentam diferenças entre si. O Datafolha divulgado em 24 de setembro registrou Lula com 40% das intenções de voto e Flávio com 36%, enquanto a Quaest divulgada em 28 de setembro apontou 39% para Lula e 34% para o senador. A eleição está marcada para 4 de outubro.

A divulgação dos arquivos de Santini acrescenta novas acusações à campanha de Flávio, mas os registros apresentados não equivalem, por si só, a uma conclusão judicial sobre eventual crime. No caso da suposta intermediação junto a Nunes Marques, por exemplo, a própria apuração jornalística registra que não houve comprovação independente do contato alegado. O candidato também tem contestado acusações relacionadas a outros episódios, enquanto investigações sobre o financiamento de “Dark Horse” permanecem em andamento.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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