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Filas de 14 cuadras por 30 empleos exponen la crisis argentina

El cierre de más de 32 mil empresas empuja a miles de personas a buscar trabajo o un segundo ingreso para subsistir.

Cientos de personas esperan bajo la lluvia durante la madrugada en Paso del Rey para entregar su currículum. Foto: Redes sociales.

Moreno, Argentina – O desemprego na Argentina levou cerca de 3 mil trabalhadores a enfrentarem chuva e frio em uma fila de 14 quadras no distrito de Paso del Rey, município de Moreno, na Grande Buenos Aires. O grupo disputava 30 vagas com carteira assinada e jornada de oito horas na loja de utilidades e importados City Store.

A mobilização começou na noite de terça-feira (13), dois dias após o anúncio das oportunidades nas redes sociais. Durante a madrugada, centenas de candidatos chegaram com currículos em mãos, o que levou a polícia a intervir para organizar as calçadas e dispersar aglomerações.

Ao todo, 3 mil pessoas entregaram currículos após mais de seis horas de espera em pé. A concorrência incluiu funções de repositor de mercadorias, operador de caixa, atendente e auxiliar administrativo, resultando em uma proporção de 100 candidatos por vaga.

A fila reuniu desempregados e profissionais formalizados cuja remuneração já não cobre o custo de vida. Um dos homens que aguardava desde cedo relatou a dificuldade:

“Estou procurando emprego há um ano e está ficando cada dia mais difícil.”

Outra candidata, que chegou às 8h, explicou à emissora TN por que buscava uma nova oportunidade mesmo já empregada:

“Tenho fé de que tudo vai dar certo. Eu tenho emprego, mas não ganho muito e o dinheiro não dá. Vejo isso como uma oportunidade para conseguir seguir em frente.”

A situação em Moreno reflete os efeitos da política econômica de Javier Milei. Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho mostram que, entre o fim de 2023 e julho de 2026, a Argentina perdeu 32.290 empresas e fechou 245 mil empregos formais.

O corte no setor público eliminou 72.440 postos — redução de quase 21% do quadro —, afetando serviços essenciais à população. A recessão derrubou o poder de compra e elevou o total de vagas cortadas no país para mais de 350 mil, atingindo com força o trabalho doméstico.

A escassez de vagas empurrou milhares de trabalhadores para a informalidade sem garantias trabalhistas e para o endividamento. O modelo econômico de Milei é defendido no Brasil pelo senador Flávio Bolsonaro como exemplo de gestão.

A busca em massa por trabalho também ocorreu em outros pontos do país. Meses antes, o frigorífico Cabaña Don Theo, também em Moreno, atraiu 3 mil pessoas em uma fila de 12 quadras para disputar 60 vagas.

Diante do medo dos trabalhadores de saírem da fila e perderem a vez, o frigorífico instalou banheiros químicos e distribuiu café quente e alimentos. A empresária Carolina Carena relatou o choque com a situação:

“Hoje a necessidade é tão grande que qualquer posto é bom.”

Carena afirmou ter ficado perplexa com a reação popular, que superou todas as previsões da empresa.

Cenas semelhantes foram registradas em Mar del Plata, com 700 concorrentes a nove vagas em uma loja de importados, e em Berazategui, onde 1.500 pessoas disputaram 14 postos em um restaurante em obras.

Hoje, 16,9% dos trabalhadores argentinos empregados seguem buscando outra vaga para complementar renda, elevando a 26,8% a fatia ativa que procura trabalho. O desemprego superou a inflação como principal preocupação popular e virou o maior entrave político para a reeleição de Milei.

Amilton Farias

Amilton Farias es periodista, fundador y editor de Fronteira Livre. Con experiencia en distintos países de América Latina y una trayectoria vinculada al periodismo territorial, escribe sobre las fronteras, los territorios y los procesos políticos, sociales y culturales que moldean la realidad de los pueblos latinoamericanos.

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