São Paulo, SP – A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) alcançou um marco histórico nas urnas neste domingo (4) ao se tornar a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Com 100% das seções apuradas no estado às 22h47, ela contabilizou 1.596.472 votos.
O resultado garantiu à parlamentar a segunda maior votação em São Paulo e superou com folga o recorde de Joice Hasselmann, que em 2018 recebeu 1.078.666 votos pelo PSL. Erika ultrapassou a marca anterior em mais de 517 mil votos no cômputo final da apuração.
O desempenho de Erika Hilton nas urnas representa quase seis vezes o resultado conquistado por ela na eleição de 2022. Naquela disputa, ao se eleger pela primeira vez para a Câmara Federal em Brasília, a candidata recebeu 256.903 votos dos paulistas.
O estado de São Paulo conta com 70 cadeiras em disputa no Congresso Nacional. De acordo com a atualização das 23h53, já com o total das urnas apuradas, o topo da lista de votação concentrou nomes de campos ideológicos opostos, expondo a polarização do eleitorado paulista.
O candidato mais votado no estado foi Lucas Pavanato (PL), com 3.038.438 votos, seguido diretamente por Erika Hilton. Na sequência apareceram Sâmia Bomfim (PSOL), com 583.107 votos; Kim Kataguiri (Missão), com 520.071 votos; e Tabata Amaral (PSB), com 476.383 votos.
Aos 33 anos, Erika nasceu em Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Antes de chegar ao Congresso Nacional, ela foi vereadora na capital paulista, eleita em 2020 com 50.508 votos — a maior votação feminina para uma Câmara Municipal no país naquele pleito.
Em 2022, tornou-se a primeira mulher negra e trans eleita para a Câmara dos Deputados. No mandato em Brasília, concentrou sua atuação política na defesa dos direitos das mulheres, da população negra e da comunidade LGBTQIA+.
No Congresso, a parlamentar ganhou projeção nacional ao liderar a campanha contra a escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho para um de folga remunerada.
A partir dessa mobilização, Erika apresentou em fevereiro de 2025 uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece limite máximo de 36 horas de trabalho semanais, divididas em quatro dias de jornada e três de descanso.
Em março de 2026, ela se tornou a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
Ao assumir o colegiado, Erika definiu como prioridades centrais o combate à violência política de gênero, a fiscalização da rede de atendimento às vítimas e o fortalecimento de políticas públicas de saúde integral para as mulheres.



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