Carta cobra ponte livre e restrição a caminhões

Carta cobra ponte livre e restrição a caminhões

Entidade empresarial de Ciudad del Este pede prioridade binacional para destravar o trânsito na Ponte da Amizade.

Carta aberta pede mudanças no fluxo da Ponte da Amizade. Foto: Reprodução Internet.
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Ciudad del Este (PY). A Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este divulgou uma carta aberta em que cobra das autoridades do Paraguai e do Brasil medidas urgentes para enfrentar o congestionamento crônico na Ponte da Amizade, principal ligação terrestre entre os dois países na tríplice fronteira. No documento, a entidade afirma que a lentidão no tráfego já compromete o comércio, o turismo, os investimentos e a rotina de milhares de trabalhadores, transportadores e viajantes que dependem diariamente da travessia.

A carta é dirigida ao presidente da República do Paraguai, a ministros de áreas estratégicas, ao diretor nacional de receitas tributárias, a autoridades departamentais e municipais, a entidades empresariais e à população em geral. O texto sustenta que, embora a região receba investimentos, promoção comercial e novas marcas, esse esforço perde eficácia quando o principal acesso econômico entre Paraguai e Brasil segue operando sob congestionamento constante.

No diagnóstico apresentado pela entidade, cada hora perdida em filas na Ponte da Amizade representa oportunidades de negócio desperdiçadas, turistas que desistem da visita, aumento de custos para empresas, atraso em investimentos e perda de produtividade para milhares de pessoas. A carta trata o problema como uma questão que já ultrapassou a esfera local e exige resposta de escala nacional e regional.

O ponto mais concreto do documento está na proposta de reorganização do tráfego pesado. A Câmara defende que a circulação de caminhões de carga sobre a ponte passe a ser restrita ao período entre 17h e 6h do dia seguinte, deixando o horário diurno livre para veículos leves, ônibus de turismo, trabalhadores e visitantes. Segundo a entidade, os caminhões estão entre os principais fatores de saturação da travessia e transformam diariamente a ponte em um gargalo permanente para a mobilidade na fronteira.

Além do impacto econômico e turístico, a carta introduz um ponto sensível: a segurança estrutural da ponte. O texto afirma que a permanência simultânea de muitos caminhões de grande porte, com cargas pesadas, exige atenção técnica e avaliações periódicas para verificar o comportamento da estrutura e assegurar que ela siga operando dentro das margens previstas em projeto. A preservação da Ponte da Amizade é apresentada como responsabilidade compartilhada entre os dois países, tanto por sua função econômica quanto pelo volume de pessoas que a utilizam todos os anos.

A entidade também pede a abertura de um diálogo sério, permanente e de alto nível entre Paraguai e Brasil, com o objetivo de construir uma solução definitiva, coordenada e benéfica para os dois lados da fronteira. No entendimento da Câmara, liberar a fluidez da Ponte da Amizade significa destravar o comércio, fortalecer o turismo, ampliar empregos e impulsionar o desenvolvimento regional, sobretudo em Ciudad del Este e Foz do Iguaçu.

O documento transforma uma reclamação antiga da fronteira em proposta política objetiva. Ao defender a restrição de caminhões em horário comercial e cobrar coordenação binacional, a carta tenta deslocar o tema do terreno da queixa cotidiana para o da decisão pública. O que está em disputa, no fundo, não é apenas a circulação sobre a ponte, mas o modelo de funcionamento de um dos corredores mais sensíveis da integração entre Paraguai e Brasil.


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