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“Profecias autorrealizáveis” e as teorias da conspiração

Por Marcelo Barbosa
08/04/2019 - 19:58
em Geral
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

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Por Ivann Carlos Lago – Opinião

Com o fim da II Guerra Mundial, os inimigos não tinham mais uma identidade claramente definível.

Há um ditado popular bastante conhecido no interior catarinense, onde cresci: “para quem acredita que no mato só existe porco, até as árvores roncam”. Ele contém um preceito sociológico poderoso, formulado em meados do século XX pelo sociólogo Robert Merton.

Merton foi quem cunhou o conceito de “profecias autorrealizáveis” para explicar os processos pelos quais uma crença, mesmo originalmente falsa, pode modificar a realidade para tornar-se verdadeira a partir do impacto que exerce sobre os comportamentos humanos.

Ele estudou o comportamento das pessoas em sua corrida aos bancos quando se deparavam com alguma notícia dando conta de que a instituição financeira passava por algum tipo de dificuldade. Quando uma notícia, mesmo que falsa, dava conta de que um determinado banco estava em apuros, isso fazia com que os correntistas o procurassem para sacar seus investimentos. Essa procura em massa pela retirada do dinheiro acabava por colocar, de fato, o banco em apuros, inclusive levando-o, em muitos casos, à falência.

Nas palavras de Merton, “a profecia autorrealizável é, no início, uma definição falsa da situação, que suscita um novo comportamento e assim faz com que a concepção originalmente falsa se torne verdadeira” (MERTON, Robert K  (1968). Social Theory and Social Structure. New York: Free Press. p. 477. ISBN 978002911304 – (tradução livre).

Imaginemos que Willian Bonner, em uma edição qualquer do Jornal Nacional, anunciasse que o banco “X” está com sérias dificuldades e há risco de falência. Não importa se a notícia seria verdadeira ou falsa. Em 48 horas esse banco estaria, de fato, falido, pois todos os seus correntistas entrariam em uma corrida desesperada para sacar seu dinheiro. A “profecia”, nesse caso, teria a capacidade de realizar a si mesma na medida em que conseguiria induzir certo comportamento capaz de materializá-la.

A questão, portanto, é que uma crença, quando incorporada de tal modo a servir de referência para o comportamento, acaba por gerar um “viés de confirmação” (o termo e seu significado, infelizmente, são pouco e pobremente debatidos no âmbito da metodologia científica, mas isso é questão para outro texto) que leva à sua própria realização, mesmo sendo originalmente falsa. Isso ocorre porque tendemos a perceber e explicar o mundo a partir de nossas crenças e convicções prévias. Tendemos a projetar sobre o mundo características que desejamos que ele tenha, ou que receamos muito que ele possua. Ou, dito de outro modo, tendemos a ver no mundo aquilo que mais desejamos e aquilo que mais tememos, além de projetarmos sobre ele características que, no fundo, nos definem.

É por isso, por exemplo, que em geral mentirosos têm dificuldade para confiar nos outros, pois eles projetam nas pessoas com as quais convivem características que são suas (mentir). Do mesmo modo, conspiradores tendem a ser também paranoicos, pois veem em tudo conspiração contra si mesmos; fofoqueiros constantemente acreditam que são alvo de fofocas; autoritários identificam autoritarismo no comportamento alheio; depravados sexuais passam a vida censurando os outros…

Esse “viés de confirmação” está na base te todas as teorias da conspiração. Elas se tornaram populares na segunda metade do século XX, especialmente em função da Guerra Fria, embora estivessem, claro, na base de justificação do massacre dos judeus pelo nazismo.

Com o fim da II Guerra Mundial, os inimigos não tinham mais uma identidade claramente definível. Então começam a proliferar teorias de que grupos e nações agiam secretamente para dominar o mundo. Para o pensamento de esquerda, havia uma conspiração internacional do capital para cooptar e dominar, com apoio da CIA, as nações através de seus governos e da opinião pública em nome de um mundo neoliberal baseado no imperialismo dos Estados Unidos. Para a direita, intelectuais marxistas, treinados pela KGB, com ajuda da mídia, dos artistas e dos judeus (pois é!) conspiravam para espalhar o “marxismo cultural” e corroer as instituições sociais, provocando o colapso da sociedade ocidental.

Essas crenças passaram a agir como parâmetros de organização do mundo e do comportamento diante dele, confirmando seus preceitos fundamentais. Afinal, todo adepto de teorias conspiratórias é, também, um intransigente. O “viés de confirmação” faz com que tudo a sua volta confirme a tese na qual ele já decidiu, de antemão, acreditar. Fatos que, na sua opinião, confirmam a teoria, são destacados, ao passo que aqueles que a contrariam são interpretados justamente como estratégia da conspiração para disfarçar o fato de ser uma conspiração. Não há diálogo possível, não há argumentação que o faça (re)pensar, pois tudo e todos passam a ser interpretados a partir da crença na conspiração.

Assim, além da paranoia, a crença em teorias conspiratórias acaba por gerar também uma espécie de conforto, um prazer existencial baseado na ideia de que ele é o único capaz de ver o que os outros não veem, que ele sabe algo que os outros não sabem, e isso é ontologicamente confortante.

No mundo cotidiano, um dos efeitos da adesão a teorias conspiratórias é o apego à família, pois os parentes próximos se tornam os únicos dignos de confiança (vejam o slogan do atual governo). No mundo político, é muito comum que o partido ou facções dele cumpram esse papel, criando militantes obcecados e intransigentes que projetam em todos os adversários a responsabilidade pelos males do mundo (vejam o discurso do antigo governo). Acreditando que todos conspiram contra eles, acabam por adotar comportamentos “preventivos”, fazendo reuniões secretas, guardando segredos, montando estratégias de guerra para derrotar os conspiradores… Acabam, enfim, por adotar exatamente os comportamentos que, em seus delírios, projetaram sobre seus adversários políticos.

Eis que, de repente, tudo gira em torno de uma disputa entre o bem e o mal, entre os justos e os injustos, entre os democratas e os autoritários…

E eis que, por acreditarem que no mato só existe porco, de repente estão todos convictos de que até as árvores roncam…


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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor (a) e não refletem necessariamente a política editorial do Fronteira Livre

Tags: Geral
Marcelo Barbosa

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