Turismo no Paraná celebra 110 anos da visita de Santos Dumont

Turismo no Paraná celebra 110 anos da visita de Santos Dumont

Aviador cavalgou até Curitiba para cobrar a compra pública das terras; hoje a atividade movimenta R$ 32 milhões e atrai 10 milhões no estado.

Em 1916, Dumont exigiu que as quedas fossem do povo. Foto: ilustrativa e feita pela IA/Abrajet-PR.
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Foz do Iguaçu, PR – O turismo no Paraná completa 110 anos de história oficial em 2026. A escolha do marco temporal tem relação direta com a passagem de Alberto Santos Dumont pela fronteira em abril de 1916. Para resgatar essa memória e discutir as diretrizes do setor, o Conselho Paranaense de Turismo (Cepatur) realiza no dia 18 de agosto, às 13h, sua 100ª reunião ordinária, reunindo representantes do poder público, empresários e trabalhadores de toda a cadeia produtiva estadual.

Definir o início de uma atividade econômica e cultural não segue uma regra exata. Em termos gerais, a palavra turismo passou a circular no início do século XIX, por volta de 1811. Historiadores e pesquisadores costumam dividir as origens do setor em duas correntes: uma ligada ao descanso, ócio, saúde, cultura e relações familiares — deslocamentos com propósito diferente de guerras, migrações forçadas e rotas comerciais puras — e outra vinculada diretamente às transformações da Revolução Industrial, quando as viagens de lazer ganharam formato de mercado de massa.

No Paraná, a presença humana e o trânsito por longas distâncias vêm de séculos. Um exemplo clássico são os Caminhos de Peabiru, rota com mais de 4 mil quilômetros aberta há mais de três mil anos para ligar os oceanos Pacífico e Atlântico cortando o território paranaense. Contudo, os profissionais e entidades que estudaram o tema não escolheram as rotas pré-colombianas como referência cronológica, e sim a visita de Santos Dumont às Cataratas do Iguaçu.

Em abril de 1916, o aviador estava hospedado na Argentina. Ele recebeu o convite de Frederico Engel — pioneiro que abriu o primeiro hotel do município em 1915, o Hotel Brasil, com sete quartos — para atravessar a fronteira e conhecer as quedas do lado brasileiro. Dumont permaneceu três dias na antiga Vila Iguassu. Para chegar até as cataratas, o trajeto exigia quatro horas a cavalo por picadas abertas no meio da mata fechada.

Ao se deparar com as quedas e descobrir que toda a área pertencia a um cidadão uruguaio, Dumont reagiu com inconformismo. Conforme registros históricos e matérias da época, o aviador disse a Engel: “Posso dizer-lhe, Frederico Engel, que estas maravilhas não podem pertencer a um particular”.

Diante da situação, Dumont alterou sua agenda e seus compromissos imediatos. Montou a cavalo e seguiu viagem até Guarapuava, de onde pegou o trem até Curitiba. Na capital paranaense, reuniu-se em maio com o governador Affonso Camargo e cobrou a intervenção do Estado para comprar as terras. O governo atendeu à reivindicação e adquiriu a propriedade em 1919. A compra permitiu a futura criação do Parque Nacional do Iguaçu, transformando a passagem do inventor brasileiro na certidão de nascimento do turismo paranaense.

A linha do tempo do setor no estado reúne outros momentos importantes. Em 1969, surgiram a Paranatur (Empresa de Turismo do Paraná) e o próprio Cepatur. Em 2003, o governo criou a Secretaria de Estado do Turismo, pasta que ao longo dos anos passou por reformas administrativas, chegando a ser extinta e absorvida pelas secretarias de Esporte e de Desenvolvimento Sustentável. Em 2023, a pasta foi recriada pelo Executivo estadual ao lado do Viaje Paraná, serviço social autônomo voltado à promoção dos destinos locais.

O peso econômico da atividade ficou evidente nos dados consolidados de 2025: o Paraná recebeu mais de 1 milhão de turistas estrangeiros — patamar recorde —, ultrapassou a marca de 10 milhões de visitantes no total e movimentou uma receita de R$ 32 milhões.

Apesar de a verba pública e os programas oficiais ajudarem a estruturar obras e divulgações, a engrenagem do setor se mantém pelo trabalho diário de ponta a ponta: guias de turismo, motoristas, garçons, cozinheiros, camareiras, recepcionistas, proprietários de hotéis e pousadas, restaurantes, agentes de viagem, comerciantes e equipes de aeroportos e parques, além das Instâncias de Governança Regional espalhadas pelos municípios.

Todos esses grupos têm assento e voz no Cepatur. Na 100ª reunião do conselho, o debate central vai girar em torno das diretrizes práticas e dos rumos necessários para garantir infraestrutura, renda e atendimento de qualidade em todo o território paranaense.


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