Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17 bi

Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17 bi

Varejista acumula R$ 17,3 bilhões em dívidas com bancos, fornecedores e trabalhadores após fechar 298 unidades no país.

Fachada de loja das Casas Bahia, rede que fechou 298 unidades no país. Foto: Reprodução/Internet.
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São Paulo, SP – O Grupo Casas Bahia protocolou formalmente na Justiça o seu pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, após acumular um passivo de R$ 17,3 bilhões em dívidas vencidas e a vencer. O montante bilionário engloba pendências com instituições bancárias, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores de mercadorias, contratos de locação de imóveis e encargos trabalhistas de funcionários demitidos ou ativos. A medida emergencial ocorre logo após uma ofensiva severa de corte operacional: a rede encerrou as atividades de 298 lojas físicas pelo país na última semana, o que gerou impacto direto na renda de trabalhadores do comércio e esvaziou pontos tradicionais em diversas cidades brasileiras.

A decisão de recorrer ao instrumento legal de proteção contra a falência foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia. Segundo o diretor-executivo (CEO) do grupo, Renato Franklin, a medida drástica foi necessária porque as ações de reestruturação interna dos últimos anos bateram no teto diante da realidade econômica do país.

“Precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado”, afirmou Franklin em nota oficial divulgada à imprensa.

Antes de recorrer à via judicial, a cúpula da Casas Bahia tentou obter novos aportes de capital privado e negociar a abertura de linhas de crédito junto ao setor financeiro. As negociações, contudo, travaram e foram frustradas pela conjuntura econômica externa e nacional, marcada pela fuga de capitais e pela aversão ao risco por parte dos grandes credores.

Diante do bloqueio de crédito, a empresa agora utiliza a blindagem jurídica para evitar execuções de dívidas e congelar cobranças imediatas enquanto desenha a renegociação com seus credores. O plano prevê um enxugamento profundo do negócio, denominado pela direção como a “Fase 2 do Plano de Transformação”.

Entre as determinações já em curso estão o fechamento definitivo de unidades deficitárias, o corte linear de despesas corporativas, o redimensionamento das plataformas de comércio eletrônico, o controle rigoroso dos níveis de estoque para preservar o capital de giro e a contenção drástica em novos investimentos. O objetivo central é diminuir o custo do endividamento e evitar que o caixa da empresa seja consumido pelo pagamento de juros bancários.

“A estratégia daqui em diante é operar uma Companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa”, explicou Franklin sobre os rumos da varejista. A empresa tenta garantir a continuidade das vendas no varejo físico e digital enquanto busca um acordo definitivo na Justiça para manter as portas abertas.


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