Kinshasa, RDC – O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se estendeu a uma nova zona sanitária da província de Tshopo, no centro-norte do país, elevando para 2.214 o número de mortos e para 4.727 os casos confirmados.
As autoridades sanitárias informaram que a epidemia afeta agora 55 zonas sanitárias distribuídas em seis províncias: Bas-Uele, Haut-Uele, Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul e Tshopo. Nesta última província, a incorporação de um novo território eleva para sete o número de zonas sanitárias afetadas.
O relatório oficial contabiliza 749 pacientes em isolamento ou hospitalizados e 976 pessoas recuperadas. A taxa de letalidade está em 46,8%, enquanto o rastreamento de contatos chega a 82,6%.
A transmissão também avançou para a província de Bas-Uélé, no norte do país, após a confirmação da morte de uma pessoa que havia deixado a zona de contenção.
Em Ituri, permanece o epicentro do surto, enquanto em Kivu do Sul já se passaram cerca de 80 dias sem novos casos confirmados. A resposta sanitária em Ituri enfrentou nesta semana o fechamento temporário de um centro de tratamento devido a uma greve de trabalhadores da saúde motivada por atrasos no pagamento dos salários.
Origem e alcance do surto
O governo congolês declarou oficialmente a epidemia em 15 de maio. Investigações dos Centros Africanos para Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a transmissão começou em fevereiro, enquanto um estudo publicado na revista Science situou as primeiras infecções em janeiro.
O surto corresponde à cepa Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50%. Essa variante não conta com uma vacina autorizada nem com um tratamento específico.
Trata-se do 17º surto de ebola registrado na RDC e do que apresenta o crescimento mais rápido em número de casos. Também é a maior epidemia registrada no país em número de infecções, superando o surto de 2018-2020, que deixou 2.299 mortos e 3.481 casos.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou recentemente que a crise pode atingir níveis semelhantes aos da epidemia da África Ocidental de 2014-2016, que deixou cerca de 11 mil mortos e 28 mil casos.
Após a declaração de emergência em Ituri, o vírus também chegou a Uganda, onde foram registrados 20 casos e duas mortes. O país se declarou livre do ebola em 28 de julho.
Recursos para conter a epidemia
O chefe de Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher, informou que a doença causa uma morte a cada 30 minutos e anunciou a destinação de US$ 30,5 milhões adicionais do Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas.
Os novos recursos se somam aos US$ 24 milhões destinados anteriormente à região.
O ministro da Saúde congolês, Roger Kamba, confirmou a mobilização de US$ 50 milhões pelo governo nacional para enfrentar a emergência sanitária.



















