Governo lança R$ 460 milhões em crédito pelo FIDC Agro Paraná

Governo lança R$ 460 milhões em crédito pelo FIDC Agro Paraná

Com aporte da Fomento Paraná e iniciativa privada, FIDC Agro Paraná injeta recursos em cooperativas para baratear juros e expandir granjas, aviários e indústrias.

Fomento Paraná estrutura operações financeiras do agronegócio. Foto: Divulgação/Governo do Paraná
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CURITIBA, PR — Produtores rurais do Estado do Paraná ganharam uma nova alternativa de financiamento para modernizar suas propriedades com custos reduzidos de crédito. O governador Carlos Massa Ratinho Junior apresentou a liberação de R$ 460 milhões por meio de três novos fundos do FIDC Agro Paraná, focados nas cadeias da Frivatti Industrial, Pluma Agroavícola e Primato Cooperativa Agroindustrial. A medida busca criar alternativas diretas para a ampliação de aviários, granjas e unidades industriais, contornando a dependência excessiva das linhas tradicionais do Plano Safra e dos juros do mercado financeiro tradicional.

Do total anunciado, R$ 90 milhões são aportados pela Fomento Paraná como cotista sênior do programa, cabendo ao setor privado e a investidores qualificados a complementação do montante. O governador ressaltou a intenção do Executivo de apoiar a competitividade das cooperativas e integrados. “São três novos fundos de investimento, quase meio bilhão de reais para novos aviários, granjas, indústrias e para industrializar a produção feita pelos agricultores, com juros muito mais baixos do que os praticados no mercado. Foi uma ideia que surgiu para que o Estado fosse parceiro das cooperativas, colocando recursos para reduzir os juros e permitir que os produtores ampliem a produção”, afirmou Ratinho Junior, reforçando que o modelo estimula a geração de renda no campo.

Crédito complementar ao campo

O mecanismo do FIDC Agro Paraná é estruturado para atender demandas de longo prazo, permitindo a construção e reforma de estruturas produtivas, compra de maquinário, instalação de irrigação e ampliação de unidades de armazenamento. A operação ocorre diretamente por meio das agroindústrias e cooperativas parceiras, que montam os projetos junto aos produtores e fazem a ponte com a Fomento Paraná.

O diretor-presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile, destacou que o modelo é inédito entre os estados brasileiros e projeta forte expansão regional. “O Paraná é o único estado que conseguiu criar um FIDC voltado ao agronegócio. Esse modelo amplia as alternativas de crédito para o produtor, com juros mais baixos, e ajuda a manter a economia em crescimento. Somando a primeira e a segunda etapa do programa, a expectativa é ultrapassar R$ 3 bilhões em investimentos, gerando emprego, renda e desenvolvimento para o Estado”, explicou Stabile, informando que mais R$ 295 milhões estatais estão em análise para ancorar outros R$ 1,475 bilhão na sequência.

A necessidade de apoiar a base produtiva estadual também foi ressaltada pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza. “O Paraná tem predominância de pequenas propriedades rurais e é importante oferecer mecanismos que ampliem o acesso ao crédito para esses produtores. Em um cenário de custos elevados e desafios para o setor, iniciativas como essa ajudam a fortalecer as cooperativas, ampliar os investimentos no campo e manter o crescimento da agropecuária paranaense”, pontuou o secretário.

Prazos e alívio financeiro

Com regras específicas, os recursos do fundo não podem ser aplicados no custeio imediato da safra nem na aquisição de terras, limitando-se aos bens de capital e estrutura de longo prazo. A participação da Fomento Paraná varia entre 14% e 20% em cada operação para atrair o capital privado.

Para os produtores ligados à Primato Cooperativa Agroindustrial, o presidente da entidade, Anderson Léo Sabadin, detalhou as condições pactuadas. “O principal benefício é a redução do custo do crédito. O produtor terá acesso a uma linha com juros de cerca de 9% ao ano , prazo de dez anos para pagamento e dois anos de carência. A Primato está em ampliação e, com esse recurso, vamos ampliar a produção de frangos e suínos. É um recurso que chega em um momento importante e permite ampliar a produção com segurança”, projetou Sabadin.

A nova fase amplia os resultados atingidos no edital inaugural do programa, que envolveu C.Vale, Seara e Marfrig/BRF, viabilizando R$ 1,05 bilhão inicial. Naquela primeira etapa, foram contratados R$ 737 milhões, distribuídos em 155 operações já aprovadas para a avicultura, suinocultura, piscicultura e processamento de carnes no interior paranaense.


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