BRASÍLIA, DF — A escalada do conflito armado no Oriente Médio voltou a pressionar as bombas e forçou o Poder Executivo a estender o socorro financeiro aplicado aos combustíveis no país. Na noite desta quinta-feira (23), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, assinou a portaria que renova o subsídio nacional da gasolina por mais 30 dias. O benefício de R$ 0,44 por litro, em vigor desde 25 de maio e perderia a validade neste sábado (25), passa a vigorar a partir de domingo (26) para amortecer a alta do barril no mercado internacional e proteger o orçamento familiar do trabalhador brasileiro.
A medida provisória que ampara essa política busca frear o repasse imediato aos postos e ao transporte de passageiros e cargas. A subvenção econômica funciona como um repasse direto aos produtores e importadores, controlado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), evitando que o frete e os preços dos alimentos nas prateleiras sofram aumentos abruptos.
Petróleo volta a disparar no mercado global
A equipe econômica previa encerrar o benefício da gasolina após a trégua temporária registrada em junho, quando a cotação do barril do tipo Brent havia recuado para a casa dos US$ 70 diante de negociações preliminares entre Estados Unidos e Irã. No entanto, o fracasso do acordo diplomático anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, somado aos recentes ataques a navios petroleiros na rota estratégica do Mar Vermelho, fez o insumo cruzar novamente a marca de US$ 100 nesta semana.
Diante do risco de desabastecimento e da pressão inflacionária, a pasta da Fazenda recalculou a estratégia. A eficácia desse mecanismo já havia sido testada nos primeiros dias da medida: quando a Petrobras reajustou a gasolina A vendida às distribuidoras em R$ 0,48 por litro, o desconto estatal absorveu a maior parte do impacto, deixando o encargo efetivo na bomba em cerca de R$ 0,04 por litro para o motorista.
Apoio ao diesel e mistura de biocombustível
Além do benefício concedido ao combustível de passeio, a proteção para o transporte produtivo permanece garantida. O Congresso Nacional prorrogou por mais 60 dias a Medida Provisória 1.363, assegurando a subvenção nacional da gasolina e do diesel no patamar de R$ 1,12 por litro. O regramento determina que o Ministério da Fazenda avalie a cada dois meses a necessidade de manutenção ou ajuste do valor, respeitando o aviso prévio de 15 dias aos agentes do setor. Cabe lembrar que outro auxílio secundário para o diesel, de R$ 0,35, já fora revogado no início de julho.
Como alternativa complementar de contenção, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, válida por 180 dias. A cartada busca reduzir a dependência nacional do petróleo importado e dar fôlego ao bolso do consumidor final diante das incertezas geopolíticas.


















