Curitiba, PR – O mel paranaense ganhou uma vitrine na sede do Sistema FAEP, em Curitiba, nos meses de julho e agosto. A sétima edição do Projeto Orgulho Paraná expõe produtos de apicultura e meliponicultura de sete propriedades espalhadas por diferentes municípios do Estado. Além do mel, a mostra reúne artesanato, própolis, hidromel, velas artesanais e cosméticos à base de cera de abelha.
O Paraná é o maior produtor de mel do Brasil. Segundo o IBGE, das 67,3 mil toneladas produzidas no país, 9.823 toneladas saíram do Estado — 14,6% do total. O Valor Bruto da Produção nacional chega a R$ 1 bilhão, sendo R$ 180,8 milhões com origem paranaense. Os municípios que mais produzem são Arapoti, Prudentópolis, Ortigueira, Wenceslau Braz e Bituruna.
Nas exportações, o Estado é o terceiro colocado. Em 2025, embarcou 5,9 mil toneladas, que renderam US$ 20 milhões, com destinos como Estados Unidos, Canadá e Alemanha.
“Essa é mais uma demonstração de força e qualidade da produção agropecuária do Paraná. É uma oportunidade para o produtor mostrar os seus produtos, a variedade, a origem e a identidade do trabalho que o campo desenvolve com excelência”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Lançado em dezembro de 2025, o projeto já exibiu café, geleias, erva-mate, vinhos, grãos e queijos. Os produtores participantes são indicados pelos sindicatos rurais.
Em Ortigueira, Fábio Alexandre Siqueira produz mel desde 2018 com 450 caixas de abelhas mistas. Com a esposa e três filhos, chega a tirar 15 quilos por colmeia. Esta é a primeira vez que expõe na capital. “Espero que abra portas para vender mais”, diz. “Na próxima leva, vou buscar a Identificação Geográfica do produto para agregar valor.”
Também em Ortigueira, Rafael Alves da Silva trabalha com a família em 500 colmeias. Ele e o pai cuidam do manejo; a esposa produz os derivados: cera, própolis, hidromel, velas e cosméticos.
“O diferencial do nosso produto está na região, que tem indicação geográfica com denominação de origem. É um mel mais claro. Único em sabor e coloração, atestado por pesquisas.”
Em boas condições, diz Silva, chegam a produzir de 15 a 20 toneladas por ano. Ele comercializa na região e no Norte do Estado, além de entregar para programas institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos e a merenda escolar municipal.
Em Imbaú, a Granja Morada produz mel há 52 anos. Benjamin Alves Ferreira Júnior e a esposa Sirlei mantêm 300 caixas de abelhas mestiças e Meliponas (sem ferrão), com produção anual de 2,7 mil quilos para mercados e restaurantes da região.
“Ter o produto em vitrine é sempre positivo. Divulga o trabalho, o produto, e agrega conhecimento e valor.”
Ferreira Júnior também constrói e vende caixas para outros apicultores na marcenaria da propriedade.
Em Tuneiras do Oeste, Carlos Augusto Alves tem 100 colmeias com abelhas Europa e produz mel há dez anos, dividindo o tempo com a pecuária de leite. Já produziu 2 mil quilos neste ano, vendidos em mercados locais. “Espero que essa oportunidade abra portas para vender para outras regiões.”
Em Realeza, na região Sudoeste, Silvana Damin trabalha com a irmã e o marido em 20 colmeias de Apis mellifera e outras 20 de abelhas sem ferrão (Jataí, Mandaçaia e Canudo). A família produz mel composto, mel com nozes, mel no favo, cosméticos à base de mel e própolis, velas e panos encerados. Também oferecem cursos sobre a cultura — Silvana e a irmã Andressa são instrutoras do Sistema FAEP.
“Nosso mel é extremamente suave e agrada a maioria dos paladares. Temos como pilar a inovação, buscando produtos que atendam necessidades dos clientes. Quero apresentar às pessoas as possibilidades dos derivados, já que nem todos conhecem.”
A apicultura e a meliponicultura também integram o portfólio de cursos do Sistema FAEP, com cinco formações específicas e um curso sobre uso do mel na gastronomia.
O orgulho paranaense, neste caso, não é apenas figura de retórica. Vem com dados, décadas de tradição e o trabalho de produtores que transformam o Estado em referência mundial num produto que não precisa de propaganda: o mel se vende pelo sabor. Falta apenas que chegue a mais mesas.




















