Paraná mantém vacinação contra gripe diante da baixa cobertura entre grupos mais vulneráveis

Paraná mantém vacinação contra gripe diante da baixa cobertura entre grupos mais vulneráveis

Estado prorroga campanha após atingir apenas 41,6% do público prioritário; chegada do inverno aumenta preocupação com doenças respiratórias

Campanha segue por tempo indeterminado em todo o Estado. Geraldo Bubniak/AEN
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Curitiba (PR) — Às vésperas do inverno, mais da metade dos paranaenses que integram os grupos prioritários para vacinação contra a gripe ainda não recebeu a dose do imunizante. Diante desse cenário, o Governo do Paraná decidiu manter a campanha de vacinação por tempo indeterminado, mesmo após o encerramento do prazo nacional definido pelo Ministério da Saúde neste fim de semana.

A medida foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e comunicada às 22 Regionais de Saúde do Paraná. O objetivo é ampliar a proteção da população mais vulnerável justamente no período em que cresce a circulação de vírus respiratórios e aumentam os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Desde o início da campanha, em 28 de março, o Paraná recebeu 3,8 milhões de doses do Governo Federal e aplicou 1.861.878 vacinas. Apesar do volume expressivo, a cobertura entre os grupos considerados prioritários permanece distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Entre crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos e gestantes — os grupos mais suscetíveis às complicações causadas pela gripe — a cobertura alcançou apenas 41,61%. Isso significa que milhões de pessoas seguem expostas justamente no momento em que as temperaturas começam a cair em todo o Estado.

Os números revelam desafios que vão além da oferta das vacinas. Questões como acesso aos serviços de saúde, desinformação, baixa percepção de risco e dificuldades de mobilização das campanhas locais ajudam a explicar a distância entre a meta estabelecida e a realidade encontrada nos municípios.

A situação preocupa especialmente no caso das crianças. Enquanto as gestantes apresentam cobertura de 53,01% e os idosos atingem 44,74%, apenas 31,71% das crianças pertencentes ao público-alvo foram imunizadas até agora.

A baixa adesão ocorre em um contexto em que hospitais e unidades de saúde tradicionalmente registram aumento na procura por atendimento durante os meses mais frios do ano. Embora o Paraná apresente atualmente números inferiores aos registrados no mesmo período de 2025 para doenças respiratórias, autoridades sanitárias alertam que a tendência histórica é de crescimento dos casos com a chegada do inverno.

Além de crianças, idosos e gestantes, a campanha contempla profissionais da saúde, professores, povos indígenas, pessoas em situação de rua, integrantes das forças de segurança, militares, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, população privada de liberdade, pessoas com deficiência permanente e cidadãos com doenças crônicas ou condições clínicas especiais.

Segundo a Secretaria da Saúde, o Paraná ainda não recebeu a totalidade das doses previstas para os grupos prioritários, estimados em mais de 4,8 milhões de pessoas. O governo estadual informou que solicitou ao Ministério da Saúde o envio complementar dos imunizantes para ampliar a cobertura e avaliar uma futura expansão dos públicos aptos a receber a vacina.

Enquanto aguarda novas remessas, a estratégia passa por reforçar ações de busca ativa e vacinação itinerante. Municípios foram orientados a intensificar campanhas em escolas e espaços comunitários, aproximando a imunização da população e reduzindo barreiras de acesso.

Os dados mostram uma realidade desigual entre os municípios. Iguatu, no Oeste do Paraná, lidera a cobertura vacinal entre os grupos prioritários, com 79,58%. Em sentido oposto, cidades como Diamante do Norte (3,94%), Mauá da Serra (4,92%), Inácio Martins (6,38%) e Alto Paraíso (8,43%) apresentam índices extremamente baixos.

O contraste evidencia que o desafio da vacinação não depende apenas da disponibilidade de doses. Ele envolve mobilização comunitária, capacidade de atendimento local, acesso à informação e confiança da população nas campanhas de saúde pública.

Ao manter a vacinação aberta por tempo indeterminado, o Paraná busca evitar que a chegada do inverno encontre milhões de pessoas vulneráveis sem proteção. Em um cenário de aumento sazonal das doenças respiratórias, a imunização continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir internações, evitar casos graves e preservar a capacidade de atendimento do sistema público de saúde.


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