Petrobras amplia investimentos e reforça defesa da soberania energética brasileira

Petrobras amplia investimentos e reforça defesa da soberania energética brasileira

Governo reforça defesa da Petrobras como empresa estratégica para o Brasil.

Investimentos incluem obras em refinarias, oleodutos e terminais portuários. Foto: Ricardo Stuckert/PR
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Paulínia (SP) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do anúncio de R$ 37 bilhões em investimentos da Petrobras no estado de São Paulo até 2030 e voltou a defender a estatal como instrumento estratégico da soberania energética, industrial e econômica do Brasil. O pacote contempla projetos ligados ao refino, exploração e produção, logística, combustíveis renováveis, descarbonização e ampliação da infraestrutura energética nacional.

Em um discurso marcado pela defesa da indústria brasileira do petróleo e do papel das empresas públicas no desenvolvimento nacional, Lula afirmou que fortalecer a Petrobras significa fortalecer a capacidade do país de produzir energia, gerar empregos qualificados e reduzir dependências externas.

“A Petrobras é brasileira e o brasileiro não desiste nunca. Estamos aqui de cabeça erguida, sendo mais fortes do que éramos e vamos ser muito mais fortes amanhã”, afirmou o presidente.

Lula também classificou a estatal como patrimônio estratégico do povo brasileiro.

“Ela é um exemplo para o povo brasileiro, a melhor e mais rentável empresa do país. Fortalecer a Petrobras é algo muito importante”, declarou.

O anúncio ocorre em meio às disputas globais por energia, à pressão internacional sobre combustíveis fósseis e ao debate interno sobre reindustrialização, soberania energética e transição ecológica. Na avaliação do governo federal, o fortalecimento da Petrobras é tratado como eixo central para impedir maior dependência do Brasil em relação à importação de combustíveis e derivados.

Os investimentos devem gerar aproximadamente 38 mil empregos diretos e indiretos e movimentar cadeias produtivas ligadas à engenharia, construção pesada, tecnologia, logística e pesquisa energética.

Replan amplia produção e reduz dependência externa

Parte dos recursos — cerca de R$ 6 bilhões — será destinada à Refinaria de Paulínia (Replan), maior unidade da Petrobras e responsável pelo abastecimento de mais de 30% do território brasileiro. A refinaria representa aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional pelo volume econômico que movimenta.

A Petrobras já concluiu na Replan uma nova Unidade de Hidrotratamento de Diesel, inaugurada em 2025 após investimento de R$ 2,1 bilhões. A estrutura ampliou em 10% a produção nacional de Diesel S-10, reduzindo a dependência brasileira do mercado internacional.

Com previsão de conclusão em 2027, outro projeto deve elevar a capacidade de processamento da refinaria dos atuais 434 mil barris por dia para 459 mil barris diários.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que os investimentos fazem parte de um plano estratégico voltado ao fortalecimento da indústria nacional de energia e adaptação aos novos cenários globais.

“São investimentos em exploração e produção, refino, transição energética, gás natural, responsabilidade social, arte e cultura. Tudo isso é Petrobras no estado de São Paulo”, destacou.

Petrobras aposta em combustível sustentável e energia limpa

Os investimentos também incluem iniciativas ligadas à transição energética e à produção de combustíveis renováveis. Outra Unidade de Hidrotratamento da Replan será adaptada para produzir SAF, combustível sustentável de aviação desenvolvido a partir de resíduos e óleos de origem animal e vegetal, reduzindo emissões ao longo da cadeia produtiva.

A previsão é que a unidade entre em operação ainda este ano.

“Estamos andando a passos largos para produzir combustível de aviação com até 5% de renovável. Vamos cumprir totalmente a legislação internacional que exigirá SAF no mercado de aviação”, afirmou Magda Chambriard.

Após 2030, a Petrobras também prevê a construção de uma planta dedicada de ATJ (Alcohol to Jet), tecnologia que utilizará etanol brasileiro como matéria-prima para produção de combustível sustentável de aviação.

Outra iniciativa prevista é a instalação de uma usina fotovoltaica para abastecimento energético da refinaria, com entrada em operação estimada para dezembro de 2026.

Durante o evento, Lula reforçou que o Brasil não deve abrir mão da capacidade nacional de produzir combustíveis e biocombustíveis.

“Vamos fazer tudo o que for necessário para que o Brasil seja soberano na prospecção e no refino de biocombustível, gasolina, óleo diesel e nafta. Quem tem uma empresa como essa não tem que ter medo de produzir”, declarou.

Investimentos se espalham por várias regiões de São Paulo

Além da Replan, o plano da Petrobras inclui obras e ampliações em diferentes regiões paulistas:

  • implantação de unidade de SAF e Diesel Renovável na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão;
  • ampliação da unidade de hidrotratamento de diesel da Revap, em São José dos Campos;
  • modernização da Recap, em Mauá, para melhor aproveitamento de óleos do Pré-Sal;
  • construção do oleoduto OBAPI, ligando Barueri a Pilões e atravessando 13 municípios;
  • construção de novo píer no Terminal Aquaviário de Santos;
  • investimentos operacionais e exploratórios na Bacia de Santos, especialmente nos campos de Sapinhoá, Mexilhão e Aram.

O governo federal trata os investimentos como parte de uma estratégia de reconstrução industrial, fortalecimento do setor energético nacional e defesa da capacidade produtiva brasileira diante das transformações globais no mercado de energia.


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