Foz do Iguaçu, PR – Enquanto o movimento Outubro Rosa concentra esforços na conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce por meio de exames como a mamografia, especialistas chamam a atenção para o papel da endocrinologia na prevenção primária do câncer de mama. O controle do peso corporal e a regulação de hormônios como a insulina e o estrogênio formam uma barreira biológica essencial para blindar o organismo contra o desenvolvimento de tumores.
De acordo com a endocrinologista Dra. Francieli Bordin, especialista em emagrecimento e menopausa, o tecido adiposo atua como um órgão endócrino ativo e não apenas como reserva de energia. Quando há excesso de gordura corporal, o organismo entra em um estado de inflamação crônica que eleva expressivamente os níveis de estrogênio, sobretudo no período posterior à menopausa.
“A relação entre a endocrinologia e o câncer de mama é íntima. A obesidade, por exemplo, gera um estado de inflamação crônica e aumenta os níveis de estrogênio no organismo, principalmente após a menopausa. Esse excesso hormonal pode funcionar como um combustível para o desenvolvimento de tumores mamários”, afirma a médica.
Outro fator determinante para a saúde metabólica é a resistência à insulina, condição ligada ao ganho de peso e à falta de exercícios físicos. Taxas elevadas desse hormônio na circulação sanguínea estimulam a proliferação celular indesejada, elevando os riscos oncológicos. Por isso, a especialista aponta que a prevenção primária exige a adoção de hábitos diários voltados à estabilização do metabolismo.
“Prevenir o câncer de mama vai muito além de fazer exames anuais, tão importantes. Significa cuidar do metabolismo no dia a dia. Adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente e manter o peso corporal adequado são atitudes que regulam nossos hormônios e blindam o organismo”, reforça a endocrinologista.
A médica também chama atenção para a necessidade de um acompanhamento médico individualizado, especialmente para mulheres que passam pela terapia de reposição hormonal na menopausa ou que já convivem com distúrbios metabólicos prévios, garantindo que qualquer intervenção ocorra com segurança. Entre as recomendações práticas da especialista para a regulação endócrina estão o controle rigoroso do peso, a prática constante de atividades físicas para melhorar a ação da insulina, a redução do consumo de alimentos ultraprocessados e o monitoramento clínico contínuo das taxas hormonais em todas as fases da vida.



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