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Paraná elege Filipe Barros e Deltan Dallagnol para o Senado

Mandatos de oito anos começam em 2027; Barros será o senador mais jovem desde 1903 e Dallagnol retorna a Brasília após ter mandato cassado.

Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) foram eleitos para representar o Paraná no Senado Federal a partir de 2027. Foto: Senado Federal.

Curitiba, PR – Os eleitores do Paraná definiram as duas vagas do estado no Senado Federal ao elegerem Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). Com 99,17% das urnas apuradas, Barros somou 3.127.821 votos, enquanto Dallagnol obteve 2.885.230 votos. Os mandatos de oito anos começam em 1.º de fevereiro de 2027 e vão até 31 de janeiro de 2035.

Ambos estreiam na Casa com promessas de mudanças no Judiciário, mas a posse do ex-procurador ainda depende de decisão definitiva da Justiça Eleitoral. Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro será o senador mais jovem do país desde 1903, assumindo a cadeira aos 35 anos e oito meses de idade.

Nascido em Londrina, Barros é graduado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e atuou na advocacia antes de entrar na política institucional. Ele exerceu o cargo de vereador em sua cidade natal entre 2017 e 2018 e cumpriu mandato de deputado federal por oito anos.

Após a confirmação da vitória, Barros declarou: “A partir do próximo ano estaremos aí, no Senado, lutando por um Paraná e por um Brasil melhores”. O deputado afirmou também que atuará por reformas no Poder Judiciário durante os próximos oito anos de mandato em Brasília.

A chapa de Barros é composta exclusivamente por nomes do PL paranaense. O primeiro suplente é Paulo Henrique Carrano Santos, que atua como seu secretário parlamentar na Câmara dos Deputados, e o segundo suplente é o empresário Sergio Roberto Domingues.

A segunda vaga ao Senado ficou com Deltan Martinazzo Dallagnol, 46 anos, nascido em Pato Branco. Formado em Direito, Dallagnol volta a disputar espaço no Congresso após chefiar a força-tarefa da Operação Lava Jato como procurador da República entre os anos de 2014 e 2020, ao lado de Sergio Moro, eleito governador pelo Paraná.

A votação ocorreu sob forte disputa jurídica, decorrente de sua cassação como deputado federal em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na época, o tribunal o declarou inelegível por deixar o Ministério Público Federal enquanto ainda respondia a procedimentos disciplinares internos.

Neste ano, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) liberou sua candidatura ao Senado, mas a acusação recorreu ao tribunal superior em Brasília. No sábado (3), véspera da eleição, o ministro relator Floriano de Azevedo Marques barrou o registro e determinou que os votos fossem considerados nulos.

O quadro mudou na manhã de domingo, poucas horas antes do início da votação nas seções eleitorais de todo o estado. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu a decisão monocrática de Azevedo Marques, devolvendo a Dallagnol a condição de candidato “deferido com recurso”.

Com a liminar, os votos atribuídos a Dallagnol puderam ser processados e divulgados normalmente pela Justiça Eleitoral ao longo da apuração. A medida concedida por Nunes Marques tem caráter provisório e foi adotada para evitar prejuízos ao pleito antes do julgamento final pelo colegiado.

A confirmação definitiva da posse e a composição final da bancada do Paraná dependem agora de manifestação do Plenário do TSE. A chapa do ex-procurador conta com o Professor Picler (PL) como primeiro suplente e o empresário Markenson Marques dos Santos (Novo) como segundo suplente.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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