Brasília, DF – A Polícia Federal iniciou um procedimento para apurar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A apuração foi aberta após uma representação apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU), que pediu a investigação de denúncias sobre financiamento norte-americano a iniciativas relacionadas ao debate político e institucional no Brasil.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou a apuração neste domingo (4), durante o primeiro turno das eleições gerais. Segundo ele, o caso foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência da PF, responsável pelas primeiras diligências.
A apuração está em fase preliminar. A Polícia Federal deverá analisar as informações encaminhadas pela AGU e verificar a origem, o percurso e o destino de eventuais recursos estrangeiros relacionados às denúncias.
A representação apresentada pela AGU teve como base uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian. Segundo a publicação, o Departamento de Estado dos Estados Unidos teria destinado US$ 1 milhão do Fundo de Direitos Humanos e Democracia para um programa denominado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”.
De acordo com a denúncia, os recursos teriam sido destinados a organizações e plataformas brasileiras envolvidas no debate político nacional. Entre os pontos que deverão ser examinados pelas autoridades está a possibilidade de que o dinheiro tenha sido utilizado para pressionar instituições brasileiras ou interferir na agenda política durante o período eleitoral.
A AGU considera que a denúncia precisa ser investigada diante da possibilidade de participação de recursos estrangeiros em atividades relacionadas à política brasileira. A Polícia Federal deverá identificar os eventuais destinatários dos valores e verificar como os recursos foram utilizados.
Andrei Rodrigues afirmou que a Diretoria de Inteligência Policial ficará responsável pelas diligências iniciais. Os detalhes da apuração estão sob sigilo, e a PF ainda precisa determinar a existência de vínculos entre os recursos mencionados na denúncia e organizações que atuam no país.
A investigação ocorre paralelamente a outra frente de atuação da Polícia Federal relacionada a alertas de segurança emitidos por representações diplomáticas dos Estados Unidos e da Austrália. As duas representações suspenderam temporariamente alguns serviços consulares após alegarem ameaças contra seus funcionários.
A Polícia Federal informou, porém, que não identificou até o momento indícios concretos de um plano de ataque contra as sedes diplomáticas. As autoridades também realizaram operações de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal para recolher equipamentos e materiais que possam ajudar a esclarecer as ameaças.
Os dois casos são tratados separadamente pela PF. Eventuais conexões entre as investigações poderão ser examinadas caso surjam elementos que indiquem relação entre os episódios.
A apuração sobre possível interferência estrangeira ocorre no mesmo dia do primeiro turno das eleições gerais de 2026, quando os brasileiros foram às urnas para escolher seus representantes. O caso deverá avançar a partir da análise dos recursos mencionados na denúncia e da identificação de seus possíveis destinatários.
Até o momento, não há conclusão oficial de que tenha ocorrido uma operação de interferência eleitoral financiada pelo governo dos Estados Unidos. A Polícia Federal ainda investiga a origem e a utilização dos recursos apontados na denúncia apresentada pela AGU.



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