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Brasil é o 4º país com professores mais descontentes com o salário

Dados internacionais mostram crise de valorização nas escolas públicas brasileiras, com crescimento de contratações abaixo do padrão global.

Professores da rede pública relatam insatisfação com remunerações e condições de trabalho. Foto: Reprodução.

Brasília, DF – O Brasil é o quarto país com os professores mais insatisfeitos com salário no mundo, aponta o relatório internacional Panorama da Educação 2026, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nas escolas públicas brasileiras, apenas 22,3% dos docentes dizem estar satisfeitos com o próprio vencimento, índice que fica muito distante da média mundial apurada pela organização, de 38,7%.

A insatisfação com os contracheques anda junta com a precariedade na rotina escolar. Quando avaliam as condições gerais de trabalho, a taxa de aprovação dos professores brasileiros sobe para 44,3%, mas permanece bem abaixo da média global de 68,4%. A nova edição do estudo internacional dedicou atenção à falta crônica de docentes e à dificuldade de manter esses profissionais em sala de aula.

No ensino fundamental e no ensino médio das redes públicas do Brasil, 9% dos professores não contavam com qualificação plena para lecionar no período 2024/2025. Esse percentual fica próximo da média de 9,1% registrada entre os países que integram a OCDE.

Ao mesmo tempo, as escolas públicas enfrentam um ritmo acelerado de saída de quem tem formação completa. Em 2022, 10,3% dos professores qualificados do ensino fundamental e médio deixaram os quadros públicos por aposentadoria ou pedido de demissão. Para efeito de comparação, a média de abandono na OCDE no período 2024/2025 foi de 6,4%.

Mesmo com as baixas, o contingente de docentes no ensino fundamental brasileiro cresceu 4%. O avanço, no entanto, é modesto diante da média de 13% registrada no bloco de países avaliados. O superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, explicou que o dado se restringe ao setor público e que nem todos abandonaram o magistério: “Alguns podem ter migrado, por exemplo, para escolas privadas”, afirmou, ao notar que o movimento expõe uma dificuldade concreta para as redes públicas brasileiras.

O estudo também avaliou o nível de escolaridade da população de 25 a 64 anos. Nesse recorte etário, apenas 22% dos brasileiros concluíram o ensino superior, contra 43% na média da OCDE. Entre quem tem ensino médio completo ou curso técnico, o índice nacional alcança 39%, praticamente empatado com os 40% da média internacional.

Já entre os jovens de 25 a 34 anos, houve avanço na conclusão dos estudos básicos: a parcela sem o ensino médio caiu de 35% em 2016 para 26% em 2024. No mesmo período de oito anos, o índice de jovens que não trabalham nem estudam no país recuou de 27% para 22%.

Na passagem do ensino fundamental para a etapa seguinte, 87% dos estudantes brasileiros continuam matriculados no ensino médio ou em cursos equivalentes um ano após concluírem o nono ano. Outros 4% repetem o último ano do fundamental e 8% abandonam completamente as salas de aula, ficando fora de qualquer rede de ensino formal.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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