Chicago, Estados Unidos – O consumo de beterraba e de seu suco ajuda a controlar a pressão arterial e traz ganhos diretos na capacidade física de adultos e idosos. O vegetal reúne uma das maiores concentrações de nitrato encontradas na natureza, um composto que o corpo humano absorve e transforma em óxido nítrico. Essa substância promove o relaxamento e a dilatação dos vasos sanguíneos, facilitando a circulação e aliviando a sobrecarga do coração.
A explicação é de Gary Miller, chefe do departamento de saúde e ciência do exercício da Universidade Wake Forest. De acordo com o pesquisador, o nitrato alimentar beneficia sobretudo idosos e pessoas que convivem com hipertensão, diabetes, obesidade ou doenças cardiovasculares, cujo organismo já produz níveis menores de óxido nítrico de maneira espontânea. Em uma análise clínica com pessoas hipertensas, o suco obtido pela prensagem do vegetal cru reduziu a pressão arterial em 5 pontos na comparação com um grupo que recebeu placebo. Os cientistas costumam priorizar o suco nos testes laboratoriais pela facilidade em padronizar as dosagens da substância.
Diferente do nitrato adicionado industrialmente a carnes ultraprocessadas, como salsichas de cachorro-quente — que podem gerar elementos cancerígenos —, a versão natural presente nas hortaliças age com segurança. Segundo Bethany Doerfler, nutricionista da Northwestern Medicine, em Chicago, a presença conjunta de vitaminas e antioxidantes vegetais impede a formação desses compostos nocivos. “Fico muito entusiasmada com as beterrabas”, disse a especialista ao detalhar o potencial preventivo da raiz.
No esforço físico, a melhora da circulação se traduz em mais oxigênio chegando aos músculos. O fisiologista do exercício da Universidade de Indiana, Andrew Coggan, explica que uma análise de 23 estudos apontou ganho de resistência aeróbica e menor sensação de cansaço durante os treinos. Em outra meta-análise liderada por Coggan, o suco gerou um aumento médio de 5% na potência muscular, o que ajuda tanto no esporte quanto em atividades simples da rotina, como subir escadas. O pesquisador adverte, contudo, que pessoas com excelente condicionamento físico percebem menos o efeito, pois seu corpo já mantém uma produção alta de óxido nítrico. Para quem busca esse suporte nos exercícios, a orientação é consumir a raiz ou o suco pelo menos duas horas antes do treino, intervalo necessário para a conversão metabólica. O consumidor também deve ter em mente que o teor de nitrato oscila: pesquisas em 24 marcas de suco revelaram variações de até 50 vezes na concentração da substância.
Os ganhos se estendem ao cérebro e à proteção celular. Imagens obtidas por Miller mostraram aumento do fluxo sanguíneo cerebral em idosos após um dia com refeições ricas no vegetal. Além disso, a raiz é rica em folato, nutriente fundamental para a formação fetal e para evitar o acúmulo de homocisteína no adulto, marcador ligado ao declínio cognitivo. A diretora do laboratório de epidemiologia nutricional da Universidade Estadual da Louisiana, Catherine Champagne, afirma que a hortaliça se destaca como fonte natural de folato frente aos cereais enriquecidos. O vegetal carrega ainda betalaínas e betaína, pigmentos antioxidantes responsáveis pelas tonalidades roxa, vermelha e dourada, que combatem processos inflamatórios.
Apesar do sabor doce, as fibras da raiz inteira tornam a absorção do açúcar gradual, o que faz do alimento cru ou cozido uma alternativa mais completa que o suco coado. Versões em conserva ou enlatadas também mantêm o nitrato. Ao preparar em casa, Champagne orienta a não jogar fora a água do cozimento, já que o nitrato migra para o líquido, sugerindo aproveitá-lo em vitaminas. Doerfler recomenda não cozinhar a raiz por tempo excessivo para não degradar os antioxidantes, dando preferência ao cozimento rápido no vapor, assados leves ou consumo cru ralado em saladas.



Deixe um comentário