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Lula defende soberania nacional e rejeita pressão estrangeira

"Não seremos colônia de ninguém", declarou o presidente ao defender independência econômica e proteção de fronteiras em rede nacional.

Presidente Lula durante o desfile do 7 de setembro . Foto: Ricardo Stuckert

Brasília, DF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não aceitará ordens de governos estrangeiros sobre a exploração de suas riquezas naturais e defendeu a soberania nacional em pronunciamento transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, na noite deste domingo (6), véspera do 7 de Setembro. Com 3 minutos e 43 segundos de duração, a transmissão foi a terceira fala em rede obrigatória feita pelo mandatário em 2026. No discurso, Lula sustentou que recursos minerais e energéticos do território brasileiro devem ser usados na geração de empregos de qualidade e tecnologia interna, e não apenas para exportação bruta sem benefício social.

A defesa da soberania nacional concentrou as mensagens centrais do chefe do Executivo, que ligou o tema à recente aprovação, pelo Congresso Nacional, do marco legal dos minerais críticos. Lula mencionou que o país detém a segunda maior reserva de terras raras do planeta, a maior bacia de água doce do mundo e uma nova jazida de petróleo descoberta no último mês. “Nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro”, declarou o presidente. “Não podemos baixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia. Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém.”

O presidente argumentou que a independência ultrapassa celebrações cívicas históricas e envolve a capacidade do Estado de patrulhar fronteiras, proteger o meio ambiente e garantir direitos essenciais previstos na Constituição, como alimentação, saúde pública e educação gratuita. “Um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de qualquer interesse estrangeiro. Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que o seu povo precisa para conquistar a própria independência”, afirmou.

Em relação à política externa, Lula defendeu a prática do livre comércio e rechaçou exigências de outros países sobre os rumos comerciais de Brasília. “Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender. Somos um país soberano e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”, disse.

A veiculação da mensagem em rede de rádio e TV foi autorizada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que acolheu o pedido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) sob a justificativa de interesse público.

Desfile cívico na Esplanada

A soberania nacional figura como um dos três temas centrais do desfile cívico-militar desta segunda-feira (7), na Esplanada dos Ministérios, ao lado do enfrentamento à violência contra as mulheres e da promoção da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027.

Lula assiste à parada ao lado da primeira-dama Janja da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros. Também confirmaram presença os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP). A programação oficial começa às 9h, com a execução do Hino Nacional e o desfile das tropas militares.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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