Sumaré, SP – Uma mulher de 32 anos descobriu que continuava grávida cerca de um mês após ter sido submetida a uma curetagem no Hospital Estadual de Sumaré, intervenção realizada após um diagnóstico incorreto de aborto espontâneo. A paciente afirma que a equipe médica do hospital declarou a morte fetal baseando-se apenas em um exame de toque vaginal, sem qualquer ultrassonografia prévia de confirmação. Durante o procedimento cirúrgico de raspagem, o instrumento perfurou a bolsa gestacional, eliminando todo o líquido amniótico e colocando a vida da mãe e do feto em grave perigo.
A gestação transcorria sem qualquer intercorrência desde o início do ano. No mês de junho, um exame de imagem realizado no Hospital Municipal de Paulínia confirmou o desenvolvimento normal de um embrião de seis semanas e cinco dias. No entanto, no dia 12 de julho, a mulher acordou com um sangramento leve, sem dores abdominais, e buscou atendimento de urgência no Hospital Estadual de Sumaré (HES).
Na unidade de saúde, a médica responsável pelo plantão realizou apenas o exame físico de toque e afirmou que a gestante havia sofrido um abortamento espontâneo. Sem a realização de exames complementares de imagem para verificar os batimentos fetais, a paciente foi encaminhada à sala cirúrgica para a realização da curetagem uterina, procedimento destinado a extrair restos de placenta e tecidos do interior do útero.
Descoberta do feto com vida
A confirmação de que o feto permaneceu vivo ocorreu em meados de agosto. Para iniciar o uso de um anticoncepcional injetável, a mulher precisou fazer um teste de gravidez sanguíneo de rotina, que apontou resultado positivo.
Em seguida, um exame de ultrassom de urgência atestou que o coração do bebê continuava batendo a 157 batimentos por minuto, com peso estimado em 170 gramas. Contudo, o laudo médico registrou anidrâmnio severo, que é a ausência completa de líquido amniótico dentro da cavidade uterina em decorrência da intervenção anterior.
“Você pensar que perdeu um bebê e saber que o bebê ainda está dentro de você. Isso não tem explicação”, desabafou a gestante, que preferiu não divulgar a própria identidade por questões de privacidade e segurança.
Proposta de interrupção e decisão da família
Após a constatação de que a gestação continuava ativa, profissionais de saúde admitiram que a raspagem provocou a perda total do líquido amniótico. Diante das sequelas no útero e dos riscos iminentes para a integridade da mulher e a viabilidade do feto, a equipe do hospital sugeriu a interrupção da gravidez.
“Me falaram, me pediram perdão, mas eu acho que perdão e desculpa não vão mudar o cenário que eu estou vivendo hoje. Foi sugerido para eu poder interromper a gestação por falta desse líquido”, contou a mulher.
Mesmo alertada sobre os perigos clínicos decorrentes da perda de líquido amniótico, a paciente recusou o procedimento de interrupção e decidiu levar a gestação adiante. “Estou vivendo uma situação muito difícil e eu não quero tirar a vida do meu bebê. Enquanto há vida, há esperança. Eu vou ter essa gestação até quando Deus permitir viver”, afirmou.
Posicionamento do hospital
Em manifestação oficial, a direção da unidade estadual declarou que abriu procedimento investigatório para apurar os atos da equipe médica e adotar eventuais sanções disciplinares.
“O Hospital Estadual de Sumaré (HES) lamenta o ocorrido e informa que abriu uma sindicância para apurar a conduta da equipe relacionada ao atendimento prestado à paciente. Se constatadas irregularidades, medidas cabíveis serão adotadas. O HES reforça que acolheu a paciente e seus familiares, prestando todo o apoio e os esclarecimentos necessários. O HES reafirma seu compromisso com a oferta de assistência qualificada, humanizada e segura à população”, informou a nota oficial da instituição.



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