Foz do Iguaçu, PR – Pesquisadores latino-americanos lançaram o livro “Haiti na encruzilhada dos tempos atuais: descolonialidade, anticapitalismo e antirracismo”. O trabalho reúne estudos aprofundados sobre a realidade caribenha a partir de uma postura crítica contra as intervenções estrangeiras e em defesa irrestrita da soberania popular do povo haitiano.
A obra é assinada em conjunto por Carlos Francisco Bauer, Félix Pablo Friggeri, Judeline Exume, Loudmia A. Pierre Louis, Marina Bolfarine Caixeta e Patrick Joseph. Todos integram o grupo de pesquisa “Haiti: descolonização e libertação”. Estudos contemporâneos e críticos”, iniciativa articulada por acadêmicos haitianos, brasileiros e argentinos residentes no Brasil e no Haiti.
Os textos apresentados são frutos de um longo processo de investigação científica e têm origem direta em teses de graduação, pós-graduação e projetos autorais. As análises examinam o contexto do país caribenho a partir de múltiplos eixos: história, filosofia, manifestações culturais, política internacional e fluxos migratórios.
A produção acadêmica parte do compromisso epistêmico com a descolonização e com a formulação de uma política de libertação militante, conceito baseado nas formulações do filósofo Enrique Dussel (2007). Da mesma forma, os autores trabalham a aplicação prática de um pensamento anapolítico (Bauer, 2022) formulado desde as bases sociais, conectando matrizes populares, culturais e espirituais dos territórios nacionais e plurinacionais de todo o continente.
O coletivo explica que a iniciativa nasce como uma ferramenta prática de reflexão política diante do sistema opressor imposto historicamente ao Caribe. O objetivo central é municiar a sociedade brasileira e latino-americana com conhecimento detalhado sobre a realidade da ilha, denunciando a violência das ocupações externas e valorizando as lutas sociais por uma ordem multipolar mais justa.
Com o aprofundamento das crises regionais e a intensificação dos fluxos de trabalhadores haitianos na América do Sul, a obra busca romper o isolamento imposto pelas narrativas hegemônicas e situar a libertação do Haiti no centro do debate anticapitalista e antirracista contemporâneo.



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