Domingo Martínez de Irala, Paraguai – A Polícia Nacional do Paraguai prendeu dois brasileiros ligados ao PCC na região de Puerto Itavera, distrito de Domingo Martínez de Irala, no departamento de Alto Paraná. A captura ocorreu em uma ação conjunta entre os governos de Santiago Peña e Luiz Inácio Lula da Silva para conter a presença da facção paulista na faixa de fronteira.
Os dois homens estavam sem documentos e entraram clandestinamente no Paraguai a partir da Argentina. Durante a abordagem, um deles deu o nome falso de Fernando Mello Pereira. A checagem da polícia revelou que se tratava de Anderson Cleiton da Silva, foragido da Justiça brasileira por tráfico de drogas. O outro preso é Samuel Barbosa da Silva. Embora não tivesse registros criminais anteriores, ele chamou a atenção dos policiais por carregar tatuagens com símbolos usados exclusivamente por membros do grupo criminoso.
A ação no Alto Paraná se soma a uma série de capturas recentes no país vizinho. No dia 12 de agosto, os agentes prenderam Sergio Francia Bernal, o “Bada”, na cidade de Mariano Roque Alonso. Ele atuava como o responsável pela disciplina interna da facção no Paraguai. Horas antes dessa prisão, o detento brasileiro Rubén Fernando Verfer foi morto a facadas dentro de uma cela de castigo no Centro de Prevenidos de Ciudad del Este, evidenciando as disputas de poder que ocorrem dentro das cadeias locais.
O acordo bilateral entre os dois países também acelerou o envio de lideranças foragidas de volta ao território brasileiro. Recentemente, o Paraguai extraditou Ricardo Alexandre de Andrade Pereira, pistoleiro do grupo em Salto del Guairá, que tinha cinco mandados de prisão em aberto por homicídio no Brasil.
Dados do Departamento de Luta contra o Crime Organizado mostram que cerca de mil integrantes do grupo criminoso atuam hoje em solo paraguaio. Desse total, entre 450 e 500 estão detidos em penitenciárias do país, locais usados pela organização como centros de recrutamento de novos membros e coordenação de rotas ilegais. A expansão da quadrilha na região também levou o governo da Bolívia a lançar o Plano Fronteiras Seguras, integrando ações táticas de inteligência com as forças de segurança brasileiras.



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