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Fundação Cultural de Foz inicia restauro do Mural das Cataratas 

Edificação pública de 1952 recebe restauro pioneiro com uso de estratigrafia para resgatar pintura original do Mural das Cataratas.

Equipe técnica envolvida no planejamento e execução do restauro do patrimônio histórico local. Foto: Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu.

Foz do Iguaçu, PR – O prédio histórico da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, construído em 1952 e que inicialmente abrigou o primeiro Fórum da Comarca, passa pelo processo de restauro do Mural das Cataratas. O painel artístico, que compõe a edificação, terá sua originalidade resgatada por meio de um trabalho que utiliza a técnica de estratigrafia para a recomposição da pintura original. Segundo o Conselho Municipal de Patrimônio de Foz do Iguaçu (CEPAC), esta é a primeira edificação pública da cidade a passar por esse tipo de intervenção.

Para conduzir os trabalhos, que começaram a entrar na fase prática com a realização de prospecções, a Fundação Cultural trouxe a restauradora de bens artísticos Eva Zaldivar, referência internacional e nacional em conservação com atuação em Ouro Preto (MG). Conforme a especialista, a etapa física inicial conta com o uso de microscópio para identificar o número de camadas de repinte sobrepostas à obra original. A profissional aponta que o mural não apresenta problemas estruturais como umidade ou trincas, restringindo-se os desafios às camadas acumuladas ao longo dos anos.

O processo de restauro exigirá paciência e rigor técnico. O trabalho consiste na remoção gradual das camadas superficiais com o auxílio de bisturi e solvente, operando centímetro por centímetro. A previsão é de que todo o procedimento dure cerca de seis meses. Para o diretor de Cultura da Fundação Cultural, Sérgio Teixeira, a parceria com a restauradora de Ouro Preto consolida um intercâmbio fecundo de práticas de conservação que demonstra que a preservação da memória é também um compromisso com o futuro.

O presidente do CEPAC, Alexandre Baltazar, destaca que o avanço corrobora o amadurecimento das políticas de preservação no município, lembrando que as primeiras leis de proteção ao patrimônio datam da década de 90 e agora começam a surtir efeitos práticos em edifícios tombados ou em processo de tombamento. O cronograma de intervenção é detalhado e compreende desde o diagnóstico conclusivo, mapeamento de danos e documentação estratigráfica até a reintegração cromática e o plano de manutenção preventiva.

Melody Piñon

Jornalista formada pela Universidade de Holguín (Cuba), atualmente cursando Filosofia na UNILA. Experiência em redação, edição e produção de conteúdo para imprensa escrita, rádio e televisão. Apaixonada pelo jornalismo investigativo, com interesse nas áreas social e econômica.

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