Foz do Iguaçu, PR – A água faz parte da rotina diária da população, do consumo doméstico à produção de alimentos. No entanto, uma parcela significativa desse recurso permanece invisível, circulando no subsolo e armazenada em aquíferos responsáveis pelo abastecimento de cidades inteiras. Compreender essa dinâmica é um dos principais desafios da gestão hídrica, especialmente em regiões que dependem fortemente das águas subterrâneas.
Nesse contexto, o Projeto Hidrosfera, desenvolvido com investimentos da Itaipu Binacional em parceria com o Itaipu Parquetec e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), consolidou-se como uma das principais iniciativas de pesquisa sobre aquíferos fraturados no Brasil. Coordenado pelo Laboratório de Pesquisas Hidrogeológicas da UFPR, o estudo tem como foco o Aquífero Serra Geral, localizado na Bacia Paraná 3 (BP3).
Ao longo de oito anos, o projeto estruturou um modelo hidrogeológico capaz de integrar dados sobre quantidade, qualidade e comportamento das águas subterrâneas. O monitoramento permite compreender a relação entre o aquífero, o clima, o uso do solo e as atividades humanas, contribuindo para a previsão de cenários de escassez hídrica e para o planejamento do uso sustentável da água.
Segundo Lucas Henrique Garcia, gestor do convênio pela Itaipu, os resultados já permitem identificar padrões relevantes para o abastecimento regional.
“Conseguimos entender como a água subterrânea interage com a água da chuva, com os rios e também com a influência da sociedade no território. Isso é essencial, porque essa água abastece boa parte da população”, afirmou.
O coordenador do projeto e professor de Geologia da UFPR, Gustavo Barbosa Athayde, destacou que o avanço da pesquisa também ampliou a aproximação entre a produção científica e a sociedade.
“Nossa grande contribuição nesse segundo ciclo foi aperfeiçoar os métodos analíticos e, principalmente, chegar mais perto da sociedade. Produzimos atlas, cartilhas, criamos um site e fortalecemos a comunicação científica para que esse conhecimento não fique restrito à academia”, ressaltou.
Além da pesquisa científica, o Hidrosfera investe em ações de divulgação e educação ambiental. Materiais como cartilhas, atlas e documentários foram desenvolvidos para ampliar o acesso da população às informações sobre águas subterrâneas e reforçar a importância estratégica desse recurso natural.
A química e pesquisadora do Itaipu Parquetec, Bianca do Amaral, afirmou que o trabalho de comunicação já apresenta impacto na percepção pública sobre o tema.
“O que percebemos é que, com a interação da sociedade, as águas subterrâneas estão se tornando cada vez menos invisíveis para a população, gestores públicos e tomadores de decisão”, declarou.
No Oeste do Paraná, cerca de 89% do abastecimento público depende das águas subterrâneas. Diante desse cenário, o Projeto Hidrosfera se consolida como referência ao integrar ciência, tecnologia e comunicação em uma estratégia voltada à gestão preventiva e eficiente dos recursos hídricos.
Os materiais de divulgação científica e os principais resultados do projeto estão disponíveis na página oficial do Hidrosfera: Projeto Hidrosfera
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