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Nível do rio Paraná começa a baixar, mas Itaipu mantém alerta

Mais de 600 moradores foram transferidos para locais seguros em Ciudad del Este; vertedouro pode seguir aberto no fim de semana

Técnicos e engenheiros de Itaipu inspecionam a barragem e acompanham mais de 3 mil instrumentos de monitoramento. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.

Foz do Iguaçu, PR – O nível do rio Paraná começou a baixar e ficou abaixo de 121 metros acima do nível do mar nesta sexta-feira (16). A previsão de tempo aberto e sem chuvas nos próximos dias em Foz do Iguaçu e na área de interesse de Itaipu deve favorecer a redução gradual das águas. Apesar da tendência de queda, a usina mantém o monitoramento das condições hidrológicas e as ações de assistência às famílias afetadas pelos alagamentos.

O rio Iguaçu também apresentou redução na vazão, que passou de 16 milhões para 12 milhões de litros por segundo. Mesmo com a queda, o volume continua oito vezes acima da vazão média do rio, de 1,5 milhão de litros por segundo. A diminuição contribui para o escoamento das águas do Paraná.

A Itaipu orienta os moradores que vivem às margens dos rios a acompanhar a previsão do tempo, os alertas da Defesa Civil e o Boletim Hidrológico da usina, disponível no site www.itaipu.gov.br. A redução do nível não elimina a necessidade de atenção às condições locais e aos avisos das autoridades.

Vertedouro pode continuar aberto no fim de semana

A expectativa é que o vertedouro de Itaipu permaneça aberto durante o fim de semana, atraindo turistas interessados em acompanhar a passagem da água pelas estruturas da usina. A continuidade do vertimento depende das condições operacionais e da produção de energia.

As elevadas defluências das usinas de Porto Primavera e Rosana, somadas à água que chega de rios da bacia incremental, como Ivaí e Piquiri, contribuem para manter as vazões elevadas no reservatório de Itaipu.

A abertura das comportas, por si só, não agrava os alagamentos nas comunidades ribeirinhas, segundo as informações da usina. A operação utiliza procedimentos técnicos que definem quais estruturas devem ser acionadas conforme a vazão que precisa ser escoada, com o objetivo de manter o funcionamento seguro e controlado.

Mais de 600 pessoas transferidas no Paraguai

Em Ciudad del Este, no Paraguai, continuam as ações de assistência e retirada preventiva de moradores dos bairros San Rafael e San Agustín. Mais de 600 pessoas já foram transferidas para locais seguros pela Assessoria de Responsabilidade Social de Itaipu, com apoio das Forças Armadas paraguaias (FFAA), de voluntários e de moradores da própria comunidade.

As equipes devem continuar prestando atendimento nos próximos dias. A retirada preventiva busca proteger as famílias diante das condições dos rios e do risco de alagamentos.

No lado brasileiro, não foram registrados novos alagamentos em residências na Vila Bancária e no Cataratas Iate Clube, às margens do rio Paraná, nem no Porto de Areia, localizado às margens do rio Iguaçu. As famílias que precisaram deixar suas casas continuam abrigadas em estruturas de acolhimento ou nas residências de vizinhos e parentes.

Itaipu monitora barragem e instrumentos de segurança

Além de administrar o reservatório e adotar estratégias para controlar a vazão do rio Paraná, Itaipu mantém uma equipe especializada com mais de 20 técnicos e engenheiros para inspecionar a barragem.

Os profissionais acompanham continuamente mais de 3 mil instrumentos de monitoramento. Equipes de diferentes áreas da usina trabalham de forma integrada para verificar as condições da estrutura e contribuir para a segurança da população.

Enquanto o nível do rio apresenta tendência de queda, o acompanhamento hidrológico, a inspeção da barragem e a assistência às famílias continuam. Para quem vive nas áreas próximas aos rios, a orientação é seguir os avisos da Defesa Civil e consultar as atualizações sobre as condições da água.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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