Curitiba (PR) — A campanha Maio Laranja mobiliza, ao longo deste mês, ações de prevenção e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o país. O movimento tem como marco o dia 18 de maio, data que simboliza a luta nacional contra esse tipo de violência e chama atenção para a necessidade de denúncia e proteção das vítimas.
A mobilização foi criada em memória de Araceli Cabrera Sánchez Crespo, assassinada aos 8 anos, em 1973, em Vitória (ES). O caso, que permanece como símbolo da violência e da impunidade, levou à criação do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, instituído pela Lei nº 9.970/2000. Mais recentemente, a Lei nº 14.432/2022 ampliou a mobilização ao instituir oficialmente o Maio Laranja como período nacional de conscientização.
No Paraná, a data também integra o calendário estadual por meio da Lei nº 17.493/2013, reforçando ações permanentes de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes.
“Ninguém reconhece um pedófilo ou um abusador apenas olhando. Não existe um aviso estampado na testa dizendo ‘eu sou pedófilo’ ou ‘eu sou abusador’”, afirma a deputada estadual Mara Lima.
“Essas pessoas podem estar em qualquer lugar, inclusive dentro de casa. Se houver qualquer suspeita, é fundamental denunciar. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima”, completa a parlamentar.
Os dados mostram a dimensão do problema no país. A cada hora, pelo menos 33 denúncias de violações contra crianças e adolescentes são registradas pelo Disque 100. Em 2024, o canal recebeu mais de 657 mil registros, crescimento de 22,6% em relação ao ano anterior. Especialistas alertam que a subnotificação ainda é alta, com estimativas de que apenas uma pequena parcela dos casos chega às autoridades.
Informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que 88,2% das vítimas de estupro são meninas, mais da metade são negras e a maioria tem até 13 anos. Em mais de 60% dos casos, a violência ocorre dentro da própria residência, e em grande parte das situações o agressor é alguém próximo da vítima.
Além da violência física, o avanço do ambiente digital ampliou os riscos. Em 2024, foram identificados milhões de usuários em grupos que compartilham conteúdo de exploração sexual infantil, evidenciando a dimensão do problema nas redes.
No Paraná, leis estaduais buscam ampliar a prevenção, com campanhas educativas, divulgação de canais de denúncia e ações de conscientização em escolas e espaços públicos.
“Maio é um mês de conscientização e mobilização pela proteção de nossas crianças e adolescentes. Precisamos romper o silêncio e fortalecer essa rede de proteção”, afirma o deputado estadual Gilson de Souza.
Autoridades de segurança pública reforçam que a prevenção passa pela informação e pelo diálogo. Mudanças de comportamento, isolamento e sinais de sexualização precoce podem indicar situações de abuso. A orientação é que famílias conversem abertamente com crianças e adolescentes sobre limites do corpo e riscos, inclusive no ambiente digital.
As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, além dos canais 197 da Polícia Civil e 181 do Disque Denúncia. Em situações de emergência, a recomendação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo 190.
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