Foz do Iguaçu, PR – A Itaipu Binacional executa um rebaixamento preventivo de sua represa para frear a subida no nível do rio Paraná. O objetivo da manobra é evitar que temporais previstos para a bacia ampliem os alagamentos nas partes baixas da fronteira entre o Brasil e o Paraguai.
Dados do Simepar indicam chuvas que podem acumular entre 300 e 350 milímetros nos próximos dias em pontos da área de interesse da hidrelétrica. A meta operacional é segurar a calha do rio entre 115 e 116 metros acima do nível do mar, margem que impede o avanço da água sobre moradias ribeirinhas.
A drenagem controlada do lago cria espaço para receber as enxurradas e controlar a vazão repassada ao leito. O ponto crítico é a foz do rio Iguaçu, a poucos quilômetros abaixo da barragem, que também encherá com as precipitações e encontra o Paraná no mesmo trecho urbano.
O coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu, engenheiro Paulo Zanelli Jr., detalhou a estratégia:
“Neste momento, estamos baixando o nível do reservatório de forma estratégica, para podermos reduzir a defluência de Itaipu no período de maiores vazões no rio Iguaçu e, assim, evitar que o pico da cheia do rio Paraná coincida com o pico da cheia do rio Iguaçu, o que deve acontecer por volta do dia 25.”
Caso as cheias máximas dos dois rios cheguem juntas, a confluência transborda imediatamente sobre as margens habitadas. Em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, bairros periféricos e populações ribeirinhas vulneráveis concentram as perdas materiais e os riscos humanos desse refluxo hídrico.
Zanelli tratou do papel da estrutura no controle dos estragos nas duas cidades:
“Se não tivéssemos a barragem e equipes preparadas para fazer esse tipo de operação, a região de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este sofreria muito mais com os impactos das chuvas intensas que vêm ocorrendo na região.”
Para manter o esvaziamento contínuo da represa, o vertedouro seguirá aberto ao longo da semana. Na quinta-feira, as calhas esquerda e central operaram juntas, descarregando uma média de 14,5 milhões de litros de água por segundo em direção à jusante.
A Comissão Especial de Cheias e as autoridades dos dois países reforçam que a população acompanhe as atualizações da Defesa Civil e o Boletim Hidrológico, divulgado no portal da empresa e em suas redes sociais. Famílias removidas de áreas de risco devem continuar nos abrigos e aguardar a liberação formal dos órgãos de socorro antes de qualquer retorno.



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