Español Português
AGORA

Encontro de Trump e Delcy Rodríguez gera protestos na ONU

Primeiro encontro após captura de Maduro reúne cúpula da Casa Branca e presidente interina da Venezuela sob pressão popular em NY.

Diálogo reservado em Nova York debateu reformas econômicas, investimentos no petróleo e cobrança por eleições na Venezuela. Foto: Pres. Venezuela/Divulgação

Nova York, Estados Unidos – O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, gerou protestos de imigrantes venezuelanos que foram às ruas de Nova York durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A conversa ocorreu à margem dos eventos oficiais do organismo internacional e marcou a primeira reunião presencial entre as duas lideranças desde janeiro, quando forças norte-americanas capturaram Nicolás Maduro.

Mais de 50 pessoas se concentraram nos arredores da sede da ONU para denunciar a presença de Delcy Rodríguez em solo norte-americano. Com bandeiras da Venezuela nas mãos, os manifestantes exibiram cartazes com exigências diretas de votação popular e críticas à negociação entre os governos, trazendo frases como “Sem Voto, Sem Petróleo” e “Cara Nova, Mesmo Regime”.

Para a comunidade venezuelana reunida no protesto, a aproximação entre Washington e a atual administração interina de Caracas quebra a expectativa de uma transição democrática genuína. Manifestantes definiram a reunião de cúpula como um “tapa na cara” da democracia, criticando a decisão da Casa Branca de abrir diálogo com figuras ligadas à estrutura de poder anterior.

A conversa aconteceu em clima reservado durante uma recepção oferecida por Trump na cidade. Além dos dois chefes de Estado, participaram do encontro o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o vice-chefe de gabinete para políticas, Stephen Miller.

Segundo Marco Rubio, os dois lados debateram reformas econômicas e os passos para a transição política no país sul-americano. O secretário afirmou que Washington mantém tratativas tanto com os integrantes do governo interino quanto com membros da Assembleia Nacional de 2015, buscando firmar as bases para a convocação de eleições.

Após a recepção, Rodríguez discursou no plenário da ONU e declarou que a Venezuela fará eleições para escolher o próximo presidente. Ela não fixou prazo ou data para o pleito, mas disse que o processo levará o país a uma “democracia plena”. A presidente interina também afirmou que abriu diálogo com setores da oposição e que o Estado venezuelano prepara suas estruturas para garantir uma transição ordenada e verificável.

A aproximação entre Estados Unidos e Venezuela se consolidou ao longo de meses de negociações centradas em petróleo, dívida externa, atração de investimentos e projetos para reerguer a economia venezuelana. Trump já havia manifestado a intenção de expandir os investimentos de empresas norte-americanas na exploração do petróleo venezuelano.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

Receba notícias no WhatsApp do Fronteira LivreReceba notícias no WhatsApp do Fronteira Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *