Buenos Aires (Argentina) — A validação de trechos centrais da reforma trabalhista do governo de Javier Milei, que autoriza jornadas de até 12 horas diárias, marca um avanço direto sobre direitos históricos da classe trabalhadora argentina. A decisão, respaldada pela Justiça, abre caminho para a ampliação da exploração da mão de obra sob o argumento de “modernização” econômica.
A medida mantém o limite formal de 48 horas semanais, mas permite a reorganização da jornada por meio de acordos coletivos, criando na prática condições para longos períodos de trabalho concentrado. O resultado é a intensificação da carga diária e o aumento do desgaste físico e mental dos trabalhadores.
A reforma trabalhista defendida pelo governo Milei está inserida em um projeto político mais amplo, alinhado à agenda da extrema-direita econômica, que prioriza a redução de custos para empresas e o aumento da margem de lucro do setor privado.
Sob o discurso de flexibilização, o que se consolida é a transferência de riscos e perdas para quem trabalha, enquanto o sistema financeiro e grandes grupos econômicos ampliam sua capacidade de acumulação.
Além da ampliação da jornada, a decisão judicial também valida restrições ao direito de greve em setores essenciais, como saúde e educação — um dos principais instrumentos históricos de pressão da classe trabalhadora.
Sindicatos reagem e denunciam retrocesso
A Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical do país, já anunciou que irá recorrer à Corte Suprema. Para a entidade, a reforma representa um retrocesso estrutural e aprofunda a precarização das relações de trabalho.
As organizações apontam que jornadas mais longas aumentam riscos à saúde, ampliam o adoecimento e reduzem o tempo de vida fora do trabalho, afetando diretamente a qualidade de vida e a convivência social
Embora ainda exista disputa jurídica, a decisão atual já permite a implementação das novas regras. Na prática, o Judiciário argentino passa a legitimar um modelo que enfraquece a proteção trabalhista e amplia o poder de negociação das empresas.
O cenário reforça uma tendência de desregulamentação que vem sendo adotada em diferentes países sob governos alinhados ao mercado financeiro.
Enquanto a Argentina avança na ampliação da jornada, o Brasil vive um movimento inverso. No Congresso Nacional, ganha força o debate sobre o fim da escala 6×1, considerada uma das principais fontes de adoecimento e precarização no país.
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