Foz do Iguaçu, PR – O cinema feito na fronteira ganhou palco, torcida e reconhecimento na noite de terça-feira (21), quando a quarta edição do Abril Claquete terminou com recorde de inscritos, mais de 400 pessoas no Mercado Público Barrageiro e uma premiação que confirmou a força do audiovisual local. Ao todo, 51 equipes se inscreveram na maratona cinematográfica, o maior número já registrado pelo evento. Dessas, 40 concluíram o desafio de produzir, em apenas 84 horas, um filme de até quatro minutos.
A edição reuniu oito equipes profissionais e 32 amadoras, que tiveram seus curtas exibidos em telão para o público. Mais do que uma mostra competitiva, a noite se transformou em vitrine para a produção audiovisual da Tríplice Fronteira, reunindo estudantes, artistas independentes, coletivos e novos realizadores em torno de uma experiência marcada por criatividade, diversidade e forte participação popular.
Os filmes foram avaliados por um júri formado pela roteirista e diretora Laís Melo, pelo professor, pesquisador e coordenador do curso de Cinema da UNILA, Fábio Ramalho, e pela atriz, produtora e gestora cultural Raquel Bareiro. Para os jurados, a qualidade das produções chamou atenção pelo nível técnico alcançado em tão pouco tempo e pela variedade de temas, linguagens e referências presentes nas obras.
Na categoria profissional, o grande vencedor foi o filme Bembón, da equipe Bembón, que levou o primeiro lugar com uma proposta ligada à camuflagem, à diversidade cultural da fronteira e a elementos do candomblé. O segundo lugar ficou com Boletín, da equipe Domingo, e o terceiro com Garoupa, da equipe Fora de Foco.
Na categoria amadora, o primeiro lugar foi para O Ciclo, da equipe Cine sin Pasaporte. Em seguida vieram Ruptura, da equipe 4 Miradas, em segundo, e Um rosto para cada silêncio, da equipe Gosma, em terceiro. O filme vencedor entre os amadores também rendeu o prêmio de melhor ator para Jean Madoche, protagonista de O Ciclo.
A premiação especial para novos talentos, o Prêmio Acquamania, ficou com o filme Entusiastas, da equipe Casa Amarela, formada durante oficina realizada no Colégio Estadual Gustavo Dobrandino da Silva. Já o prêmio de melhor fotografia foi para Floresta, da equipe Self Iguassú. A categoria melhor atriz consagrou Gissel Alderete, por sua atuação em Nadie vino, da equipe Fix in Post. Em melhor direção, o vencedor foi Maleza, da equipe Iguazu. O prêmio de melhor roteiro ficou com Por Ela, da equipe Take Único.
Um dos destaques da noite foi justamente a mistura de perfis, idiomas e trajetórias. Integrantes das equipes relataram processos intensos de criação, com noites viradas, improviso e colaboração coletiva para dar conta do desafio. Em vários trabalhos, a fronteira apareceu não apenas como cenário, mas como linguagem, identidade e matéria-prima narrativa.
Com casa cheia, tapete vermelho e uma plateia mobilizada, o Abril Claquete reafirmou seu lugar como um dos espaços mais importantes para o cinema independente da região. Em um território onde arte, circulação cultural e diversidade convivem diariamente, o evento se consolida como ferramenta de formação, visibilidade e estímulo à produção local.
Os 40 curtas exibidos serão disponibilizados no canal oficial do Abril Claquete no YouTube nesta sexta-feira (24), onde o público poderá votar em seu filme favorito até domingo (26). A escolha popular também dará direito a premiação em dinheiro.
Produzido pela Três Margens Cinema e Audiovisual e pelo Instituto Cultural 3 Fronteiras, o Abril Claquete foi realizado com recursos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura, Fundação Cultural e Prefeitura de Foz do Iguaçu, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal. O evento contou ainda com parceria do Mercado Público Barrageiro, Itaipu Parquetec e Itaipu Mais que Energia, além de apoio de instituições culturais e educacionais da cidade.

Premiação reconhece talentos e fortalece cena local
A premiação contemplou categorias profissionais e amadoras, além de reconhecimentos técnicos e artísticos, com troféus, medalhas e valores em dinheiro. O resultado reforça o papel do Abril Claquete como vitrine de novos nomes do audiovisual regional.
🎬 Categoria Profissional
1º lugar
Filme: Bembón
Equipe: Bembón
2º lugar
Filme: Boletín
Equipe: Domingo
3º lugar
Filme: Garoupa
Equipe: Fora de Foco
🎥 Categoria Amador
1º lugar
Filme: O Ciclo
Equipe: Cine sin Pasaporte
2º lugar
Filme: Ruptura
Equipe: 4 Miradas
3º lugar
Filme: Um rosto para cada silêncio
Equipe: Gosma
🏆 Premiações especiais
Prêmio Acquamania (novos talentos)
Filme: Entusiastas
Equipe: Casa Amarela
Melhor Fotografia
Filme: Floresta
Equipe: Self Iguassú
Melhor Ator
Jean Madoche (O Ciclo)
Melhor Atriz
Gissel Alderete (Nadie vino)
Melhor Direção
Filme: Maleza
Equipe: Iguazu
Melhor Roteiro
Filme: Por Ela
Equipe: Take Único
Cinema como formação e transformação
O destaque da noite ficou com o filme Bembón, vencedor da categoria profissional, que trouxe elementos culturais e religiosos da fronteira para a tela. Já na categoria amadora, O Ciclo chamou atenção pela diversidade da equipe e pela proposta linguística, incluindo diálogos em crioulo haitiano.
O evento também reforça o papel do audiovisual como ferramenta de formação e transformação social. Muitos participantes tiveram no Abril Claquete a primeira experiência com produção cinematográfica, o que amplia o acesso à cultura e fortalece a economia criativa local.
Os 40 filmes exibidos serão disponibilizados no canal oficial do Abril Claquete no YouTube, abrindo espaço para votação popular. O público poderá escolher seu favorito, que também será premiado em dinheiro, ampliando o alcance das produções e o engajamento do público.
O crescimento do Abril Claquete revela mais do que números. Mostra uma cena audiovisual que se fortalece mesmo diante de limitações estruturais e de acesso a financiamento.
Na fronteira, onde a diversidade cultural é uma das maiores riquezas, o cinema surge como ferramenta de expressão, identidade e inclusão. Investir nesse setor não é apenas apoiar a arte — é fortalecer narrativas locais e democratizar o acesso à produção cultural.
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