Lima, Peru – Quando se fala em Amazônia, o Brasil vem à cabeça primeiro. Mas a maior floresta tropical do mundo não respeita fronteiras. No Peru, a Amazônia ocupa 60% do território nacional — uma área de aproximadamente 780 mil quilômetros quadrados que abriga uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta.
São mais de 20 mil espécies de plantas, 500 espécies de mamíferos e 1.800 espécies de aves registradas na porção peruana da floresta. O país é o segundo maior em extensão amazônica, atrás apenas do Brasil, e à frente da Colômbia, Equador, Bolívia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
A geografia da floresta peruana se divide em duas regiões principais. A selva alta, nas encostas orientais dos Andes, entre 800 e 2.500 metros de altitude, onde a floresta encontra a montanha e forma um dos ecossistemas mais ricos do mundo — a chamada “ceja de selva” (sobrancelha da selva). A selva baixa, abaixo dos 800 metros, é a planície amazônica propriamente dita, cortada por rios imensos como o Ucayali, o Marañón e o Amazonas, que nasce em território peruano.
O clima é equatorial, quente e úmido o ano inteiro. As temperaturas médias giram entre 24°C e 30°C, com umidade relativa acima de 80%. A estação seca, entre maio e outubro, é considerada a melhor época para visitar: as trilhas ficam mais acessíveis e os animais se concentram em torno dos rios e lagos.

Turismo na floresta
O ecoturismo na Amazônia peruana é organizado a partir de três grandes portões de entrada:
Puerto Maldonado, na região de Madre de Dios, ao sul, é a porta de entrada para a Reserva Nacional de Tambopata e o Parque Nacional Manu. A cidade tem voos regulares de Lima e Cusco. Os passeios incluem caminhadas por trilhas na mata fechada, visitas a collpas (paredões de barro onde araras e papagaios se reúnem para lamber o mineral) e passeios de barco pelos lagos da reserva. Os roteiros mais comuns são de 3 a 5 dias, com saídas diárias dos lodges.
Iquitos, na região de Loreto, ao norte, é a maior cidade do mundo sem acesso por estradas — só se chega de avião ou barco. De lá, partem expedições fluviais para reservas como Allpahuayo Mishana e Pacaya Samiria. Os passeios fluviais duram de 4 a 7 dias, com pernoite em lodges flutuantes ou acampamentos na selva.
Manu, a sudeste, é Patrimônio Mundial da UNESCO. A reserva tem acesso controlado e o número de visitantes é limitado. Os passeios são organizados exclusivamente por operadoras credenciadas, com guias especializados. A zona de uso turístico permite visitas monitoradas durante o dia, das 6h às 17h, com retorno obrigatório aos lodges antes do anoitecer.
Os lodges ecológicos seguem padrões de sustentabilidade: energia solar, tratamento de resíduos, construção com materiais locais e contratação de moradores das comunidades ribeirinhas. O turista dorme ouvindo o som da floresta e acorda com a cantoria dos pássaros. Nada de vilarejo cenográfico: é a selva real.
“A Amazônia peruana oferece uma experiência de imersão total. Não se trata de ver a floresta de passagem, mas de viver dentro dela por alguns dias”, afirma Miguel Rojas, guia de ecoturismo em Puerto Maldonado há 18 anos.
Para o viajante brasileiro, há uma vantagem logística relevante: voos de São Paulo para Lima duram cerca de 5 horas, e de Lima para Puerto Maldonado são mais 1h30. Ou seja, em menos de um dia é possível estar no meio da maior floresta tropical do mundo em outro país, com outra cultura, e descobrir que a Amazônia é maior do que qualquer bandeira.



















