Foz do Iguaçu (PR) — Plantas presentes em jardins, calçadas, terrenos e áreas verdes urbanas podem representar uma ameaça silenciosa à biodiversidade da Mata Atlântica. Com o objetivo de aproximar ciência, educação ambiental e participação popular, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) lançou o guia de campo “Invasoras à Vista! Monitoramento Participativo de Plantas Exóticas Invasoras”.
O material está disponível gratuitamente em formato digital e começou a ser distribuído em escolas públicas de Foz do Iguaçu. A proposta busca incentivar moradores, estudantes e educadores a participarem do monitoramento de espécies invasoras presentes no município.
A iniciativa é coordenada pela professora Ana Alice Eleuterio e integra o projeto de extensão “Ecologia em Rede: Grupo de Estudos sobre Ciência Cidadã”, desenvolvido pela UNILA.
“O guia de campo ‘Invasoras à Vista’ se alinha com extensão e pesquisa. Os dados gerados alimentam um mapeamento de espécies invasoras no município e servem para entender como nossas ações educativas colaboram com o aprendizado sobre ciência”, explica Ana Alice.
Segundo a docente, o projeto também está ligado às ações do NAPI Biodiversidade: Serviços Ecossistêmicos, fortalecendo pesquisas voltadas à preservação ambiental e à relação entre universidade e comunidade.
O guia apresenta espécies exóticas invasoras encontradas em Foz do Iguaçu, entre elas jambolão, leucena, cinamomo, lírio-do-brejo e capim-colonião. O material explica como essas plantas, originalmente trazidas de outras regiões do mundo, conseguem se adaptar rapidamente aos ambientes locais, competindo com espécies nativas por água, luz, nutrientes e espaço.
Além dos impactos sobre a vegetação local, a presença dessas espécies pode comprometer o equilíbrio ecológico, afetando diretamente a fauna, os recursos hídricos e a regeneração natural da Mata Atlântica. Para ampliar o alcance do monitoramento ambiental, o guia também ensina como utilizar o aplicativo iNaturalist, plataforma colaborativa utilizada em diversos países para registro de espécies da fauna e flora.
A ferramenta permite que qualquer cidadão fotografe plantas encontradas em praças, parques, ruas e áreas verdes. A própria plataforma utiliza inteligência artificial para sugerir a identificação das espécies, enquanto os registros são posteriormente validados por usuários e pesquisadores da comunidade científica. Cada observação enviada também reúne dados geográficos e ambientais que ajudam pesquisadores a acompanhar o avanço das espécies invasoras em Foz do Iguaçu.
“Nós trabalhamos com ciência cidadã porque ela favorece uma aproximação entre a pesquisa e a cidadania. Permite que o cidadão participe de pesquisas, desde a identificação de problemas até a coleta de dados, geração de resultados e implementação”, afirma Ana Alice.
O material ainda reúne orientações para fotografar corretamente as plantas, alerta sobre espécies tóxicas e um glossário botânico que facilita a identificação das espécies pelos participantes.
As ações desenvolvidas pela UNILA também incluem atividades de formação em parceria com instituições de ensino da cidade. Entre elas estão o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e o Colégio Agrícola de Foz do Iguaçu.
Segundo a professora, o projeto fortalece a inserção territorial da universidade e amplia o diálogo entre ciência, educação pública e preservação ambiental.
“São colaborações que vão se consolidando na cidade e trazem uma maior inserção da UNILA no território”, destaca.
A proposta reforça o papel da ciência cidadã como instrumento de participação social e conscientização ambiental, especialmente em uma região marcada pela presença de importantes áreas de conservação ambiental e pela riqueza da biodiversidade da Mata Atlântica.














